O peróxido de hidrogênio faz parte da formulação de clareadores dentais, mas bochechos.

A água oxigenada (conhecida cientificamente como peróxido de hidrogênio) existe de diversas formas, texturas e concentrações e faz parte das fórmulas de géis clareadores usados para procedimentos caseiros para dentes brancos orientados por dentista, que são formulados e balanceados.

Mas ao contrário do que se divulga amplamente na internet, o simples uso em bochecho da água oxigenada de 10 volumes para promover clareamento dental não é nada recomendado em virtude dos altos riscos associados, já que pode alterar significativamente o pH da boca, aumentando sua acidez e trazendo diversos danos, como lesões, agravamento de inflamações em mucosas, queimaduras, sensibilidade dentinária e também contribuindo para desmineralização dentária e destruição das bactérias aeróbicas, o que causa um desequilíbrio na flora bucal e sua proteção natural. Além de tudo, o uso da água oxigenada 10 volumes na tentativa caseira de branqueamento dental pode resultar em dentes mais manchados e de aparência ainda mais desagradável.

Desvendando os problemas

O bochecho com água oxigenada de 10 volumes tem boa indicação em casos bem específicos, como inflamação nas gengivas, por exemplo, visto que com liberação do oxigênio as bactérias anaeróbicas não sobrevivem, e essas são as mais presentes em casos de periodontites (infecção dos tecidos que ficam em torno dos dentes). No entanto, não existem boas razões em se bochechar, de forma regular e sem indicação do especialista, com a água oxigenada antisséptica, vendida em farmácias e afins, com o objetivo específico de clareamento dental caseiro.

Quando utilizada, nas gengivas e periodonto (tecidos de ficam em torno dos dentes) com regularidade, pode causar desequilíbrio da flora bucal, causar danos nas mucosas, mesmo nos dentes, piorar ou desencadear sensibilidade, mesmo que esta esteja diluída em água comum, além de não promover o efeito desejado do clareamento.

Com relação aos cremes dentais obtidos a partir da mistura de água oxigenada 10 volumes e bicarbonato de sódio, além dos efeitos deletérios da água oxigenada em si, temos o agravante do bicarbonato de sódio ser abrasivo quando utilizado em pó, promovendo apenas um polimento, uma ?esfoliação? na parte superficial dos dentes, removendo manchamento externo e placa bacteriana, dando a falsa sensação de clareamento. O grande problema do uso regular e indiscriminado dessa pasta é que causa abrasão dentária, sensibiliza gengivas e o próprio esmalte dentário, deixando a pessoa mais exposta à infecções indesejadas.

Clareamento caseiro? Só com indicação do dentista

Existem basicamente três tipos de clareamentos dentários profissionais, embasados por literatura científica e com comprovação de segurança e eficácia quando prescrito, feito e acompanhado por um cirurgião-dentista capacitado para tal procedimento; são eles:

  • Clareamento feito em consultório, também conhecido como ?office bleach?
  • Clareamento feito em casa, o ?home bleach?, com moldeiras em acetato confeccionadas no consultório e géis clareadores de peróxido de carbamida (em diferentes concentrações, dependendo da indicação), em que há necessidade e prescrição do cirurgião-dentista)
  • Clareamento de dentes com tratamento de canal (dentes desvitalizados).

Recomenda-se que o clareamento feito em casa não seja feito com bochecho de água oxigenada comprada em farmácias e supermercados, aquela comum usada para machucados, mas pode ser feito com géis de peróxido de carbamida ou peróxido de hidrogênio em concentrações diferentes, de acordo com a necessidade e indicações de seu dentista. Em geral, os géis com peróxido de hidrogênio são utilizados para manchas predominantemente acinzentadas e os géis de peróxido de carbamida para manchas mais amareladas.

Existem diversas apresentações, marcas, formas de usar, tempo em que o produto fica em contato com as superfícies dentárias e é bem seguro quando bem indicado e bem acompanhado por um profissional.

Os clareamentos com géis vendidos em farmácias para serem feitos em casa, só devem ser efetuados depois de uma avaliação pelo cirurgião-dentista, que indicará o produto, moldeiras, cuidados e acompanhamentos adequados. Isso evitará os riscos inerentes da auto-prescrição, que são, entre outros: gengivas queimadas, sangramento, dores, e manchas em toda a arcada dentária. Em alguns casos os danos e sequelas podem ser graves e até irreversíveis.

Os clareamentos feitos em consultório são os mais efetivos, mais seguros e de resultados melhores e mais duradouros. Eles são feitos, em geral, em duas sessões, com intervalo de 15 dias entre elas. Sua segurança ocorre porque há extrema proteção labial, gengival e de retrações. O peróxido de hidrogênio utilizado é de alta concentração, de 35%.

O clareamento de dentes tratados endodonticamente (canal) é feito pelo profissional em consultório, após reabertura por trás do dente, proteção do início do canal e colocação de peróxido de hidrogênio à 35% e luz LED ou leve aquecimento, ou perborato de sódio misturado ao peróxido de hidrogênio em concentração 20% ou peróxido de carbamida em concentração de 35%. Os produtos são colocados em forma de pasta dentro do dente, que é fechado e o paciente fica com a substância agindo até a próxima sessão, que varia de 5 a 7 dias, onde é feita uma reavaliação (walking bleach).


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