19,5% das mortes violentas em 2017 no estado foram causadas por policiais; percentual é o mais alto do país. Em visita a Campinas, governador voltou a defender transferência da Polícia Civil.

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), afirmou nesta sexta-feira (11) que a polícia do estado é a mais efetiva do Brasil e “responde à altura das agressões”, ao ser questionado sobre as 940 mortes violentas provocadas por agentes em 2017, segundo levantamento do G1 com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. O número representa 19,5% do total deste tipo no período.

“A polícia de São Paulo é a mais efetiva do Brasil. A farda do policial é uma farda sagrada. Ela não pode ser encostada e nem atirada nela. O policial responde à altura dessa agressão. O ideal é que a gente tenha um policial respeitado e não haja este tipo de confronto. Temos que dar oportunidade ao jovem”, afirmou em visita a Campinas (SP), durante participação na 3ª Edição do Agenda Campinas-Compromisso com o Futuro-, organizado pelo grupo EPTV.

O percentual é o mais alto do país e, das 940 mortes contabilizadas, 687 foram provocadas por policiais em serviço e 253 por agentes em horário de folga. Confira detalhes do levantamento.

“A gente tem que parar de produzir o gelo, não de enxugar o gelo. Eu falo que gostaria de colocar programas especiais para jovens porque nós já estamos com 130 mil policiais e 230 mil presos. Temos que encontrar um mecanismo para darmos oportunidade para o jovem de 17, 18 anos, se inserir no mercado. Não é bom para ninguém que tenha mais mortes, ao contrário”, frisou.

Transferência

Outro assunto abordado pelo pessebista foi a hipótese de transferência da Polícia Civil da pasta da Secretaria de Segurança para a de Justiça e Defesa da Cidadania. Segundo ele, o assunto será discutido pela Assembleia Legislativa, mas vê a atribuição da categoria mais próxima do Judiciário.

“Estou convencido que a Polícia Civil é a Polícia Judiciária, ela trabalha sem farda, ela não tem a necessidade de estar na segurança pública, porque ela tem muito mais a ver com investigação, com o Judiciário”, ressaltou. Além disso, França também falou sobre a necessidade de otimizar a atuação de policiais militares no estado, com foco em assuntos “mais importantes”.

O policial militar […] tem que estar mais preservado para ações mais duras no estado. Tem que estar na repressão. Ele não precisa se indispor com tantos casos de desinteligência ao longo de todo o seu período. De cada dez chamados [telefone 190], sete são para atender desinteligência. […] Nós temos outro tipo de profissional no estado que cuida da Fundação Casa e presídios, que podem numa espécie de hora extra em jornadas extras atender casos de desinteligência”, falou.


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