‘A mulher pode tudo’, diz primeira motorista de ônibus de São Carlos, SP

Fábia Barbosa Gobbi é a única condutora nas 55 linhas da cidade

“A mulher pode tudo o que ela quiser, se é o que ela tem vontade, tem que correr atrás, perseverar e não pode desistir”. O ensinamento vem de Fábia Barbosa Gobbi, primeira mulher a ocupar a função de motorista de ônibus coletivo na história de São Carlos (SP).

Desde que entrou para a Suzantur, no dia 6 de julho, ela realiza o transporte porta a porta de deficientes, respondendo por uma das 55 linhas da cidade. “A aceitação da população é muito legal, o pessoal quando me vê na rua, no ônibus, acena”, confessou. “A melhor parte é a satisfação de mostrar que sou capaz de fazer o que faço”.

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Profissão

Fábia contou que trabalhou com telemarketing, mas não se identificava e começou a dirigir profissionalmente há dois anos, quando foi contratada para conduzir vans de uma empresa de transporte.

“Trabalhei em vários lugares que não tinham nada a ver com motorista profissional, mas, como gosto de dirigir e faço isso muito bem, decidi me especializar e exercer a profissão”, afirmou.

Ela buscou a empresa e entregou o currículo para a função de motorista, o que foi uma surpresa para os demais funcionários. Tempos depois, foi chamada para prestar um teste com mais seis candidatos, todos homens, e foi aprovada.

Entre os desafios, ela explicou que o maior são os buracos das ruas de São Carlos e que recebeu comentários negativos nas redes sociais quando a empresa divulgou sua contratação.
“Teve gente que não gostou da repercussão, achou um absurdo ter tanto reboliço sobre a primeira mulher motorista na cidade”, disse.

Pessoalmente, Fábia contou que nunca sofreu preconceito atuando para a empresa e relatou que uma vez recebeu elogio de uma passageira. “Ela disse que eu dirigia melhor do que muito homem por aí”.

A opinião também é compartilhada por Glaúcia Cristina Batista. Cadeirante, ela é transportada todas as manhãs de sua casa, do Jardim Zavaglia, para as sessões de fisioterapia na Santa Casa e recebe ajuda da motorista para se acomodar.

“É diferente, uma novidade, a gente nunca tinha visto isso, mas é mais cômodo porque tem homem que é estúpido”, afirmou Glaúcia.

*Sob a supervisão de Stefhanie Piovezan, do G1 São Carlos e Araraquara.