Adolescente acusada de matar pai com facada tem quadro anterior de surto psicótico, diz advogado

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Jovem, que foi achada em cima do telhado com faca nas mãos, segue internada no Hospital das Clínicas de Marília (SP) e prestou depoimento na última terça-feira (1º).

Por Julia Nunes*, G1 Bauru e Marília

A adolescente de 17 anos acusada de matar o pai com uma facada em Marília (SP) já tinha quadros anteriores de surto psicótico, segundo o advogado de defesa da jovem. Aloísio Ahnert Tassara foi encontrado morto na sala de casa, coberto de sangue e com uma faca ao lado corpo.

O advogado Fábio Ricardo Rodrigues dos Santos revelou que a jovem estava passando por tratamento psiquiátrico e que, provavelmente, ela sofre de esquizofrenia paranoide, apesar de não ter o diagnóstico fechado. O advogado relata que no dia do crime, pela manhã, ela deveria passar por uma consulta com um novo psiquiatra.

Segundo o advogado, a adolescente já tinha tido problemas na escola onde estudava em São Paulo e, quando retornava no carro com os pais, o resgate precisou ser acionado. “Na ocasião, ela teve que ser medicada e contida, devido às crises de paranoia e síndrome de perseguição”, explica.

Até o momento, segundo as investigações, a jovem é tida como a principal suspeita do crime, que aconteceu no dia 23 de agosto. Ela foi apreendida em flagrante depois que, segundo informações do boletim de ocorrência, moradores avisaram que a jovem estava no telhado da casa da vizinha com uma faca na mão.

Como ela estava mentalmente desequilibrada, o Samu foi acionado. O serviço de emergência constatou que a jovem estaria em surto psicótico e a encaminhou para o Hospital das Clínicas, onde foi internada na ala de psiquiatria da unidade e permanece até o momento.

Na última terça-feira (1º), a polícia ouviu a adolescente no hospital. No depoimento, segundo a DIG, a jovem disse que se recordava de tudo e relatou em detalhes o que tinha ocorrido.

De acordo com o advogado de defesa da adolescente, a polícia já tinha tentado ouvi-la anteriormente, mas ela não conseguiu prestar depoimento pois estava em crise. Naquela vez, o médicos atestaram, inclusive, que ela não tinha condições de depor.

O advogado contou que a jovem não tem previsão de alta médica e que apresenta quadros de melhora e regressão. Segundo ele, ela sente falta do pai e, em alguns momentos, “chora intensamente e não consegue falar”.

No último depoimento, ela respondeu às perguntas acompanhada de médicos e o questionamento teve que ser interrompido diversas vezes por conta da condição que ela estava, de acordo com o advogado. “Ela também é vítima, toda a família é vítima de uma tragédia”, admite ele.

Diante dos fatos, o delegado responsável pela investigação, Valdir Tramontini, enviou um relatório à Vara da Infância e Juventude e ao promotor, além de sugerir um exame de sanidade mental na adolescente, para verificar se, na data dos fatos, ela tinha capacidade de discernir sobre os fatos que foram praticados.

O advogado afirmou, inclusive, que a defesa vai reforçar a necessidade de realização desse exame. A partir disso, o promotor de Justiça deverá decidir se arquiva o procedimento ou se faz uma representação contra a adolescente.

Para o delegado, essa situação vai depender do exame pericial de sanidade mental.

“Se eventualmente constatar que ela estava plenamente capaz, aí ela está sujeita a uma internação na Fundação Casa. Pelo contrário, se entender que ela estava relativamente capaz ou absolutamente incapaz de ter esse discernimento, eu acredito que deva ser aplicado a ela uma medida de tratamento ambulatorial ou uma eventual internação em casa de custódia para tratamento psiquiátrico”, explica o delegado.

Exame de corpo de delito

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília (SP) também afirmou que a mãe da adolescente teve que passar por um exame de corpo de delito após o crime, procedimento que serve para comprovar eventuais lesões no corpo de uma pessoa.

Segundo o delegado responsável pelo caso, a polícia apura um segundo “fato grave” que teria acontecido depois da morte do dentista, mas não revela o ocorrido pois o caso segue em segredo de Justiça. De acordo com o advogado de defesa, a mãe também teria sido agredida pela filha no momento do surto, com mordidas e arranhões.

O delegado conta também que a polícia já ouviu 19 pessoas e que, além do exame de corpo de delito, recebeu outros dois laudos para ajudar nas investigações. O laudo pericial local, segundo ele, serve para buscar vestígios no local do crime e comprovar a infração, e o exame necroscópico da vítima fatal, para indicar os ferimentos no corpo do cadáver e identificar a causa da morte.

Dinheiro nas roupas da vítima

No dia do crime, a perícia encontrou R$ 2.154,85 no bolso e R$ 16.550 na cueca de Aloísio Ahnert Tassara.

No entanto, o delegado informou que o dinheiro encontrado não tem qualquer relação com o crime, pois segundo familiares e funcionários da vítima, o dentista tinha o costume de guardar o dinheiro do trabalho na cintura, em uma pochete ou saquinhos. “Não era um fato do dia, há mais de ano ele fazia isso, era corriqueiro”, completa o delegado.

* Colaborou sob a supervisão de Mariana Bonora.