Adolescente ‘corre contra o tempo’ para tratar câncer raro em SP: ‘Sem perder a fé’

Rebeca Guimarães, de 14 anos, recebeu o diagnóstico de linfoma em março deste ano, mas já apresentava sintomas desde maio de 2019.

Uma adolescente de 14 anos levou cerca de dez meses para descobrir um linfoma raro, e agora corre contra o tempo para conseguir se curar. Moradora de Pariquera-Açu, no interior de São Paulo, Rebeca Guimarães Macedo terá de fazer tratamento por um ano, com sessões semanais de quimioterapia.

O hematologista Breno Gusmão explica que, pelo sistema linfático, trafegam os linfócitos (glóbulos brancos), responsáveis por combater as doenças em nosso corpo. O linfoma ocorre quando essas células passam a apresentar defeito genético, e começam a se reproduzir de maneira descontrolada, causando o câncer.

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A mãe de Rebeca, Priscila Marinho Guimarães Macedo, de 35 anos, contou que, em maio de 2019, notou um caroço no pescoço da menina e a levou ao médico. No consultório, o profissional disse que a adolescente tinha uma espécie de íngua, e a liberou. Em junho, a paciente voltou ao consultório, e a equipe médica desconfiou de caxumba, pois o caroço havia crescido.

“Fizeram o exame e deu negativo. Aí, pediram um ultrassom da cervical, ela fez e apresentou um aumento nos linfonodos [gânglios linfáticos]”, conta. Segundo a mãe, depois disso, foram idas e vindas ao médico durante os meses seguintes, mas sem nenhum diagnóstico. O ano virou e nada da família conseguir descobrir o que a adolescente tinha.

Até o dia em que a mãe decidiu ir até um hospital da região e ‘bateu o pé’, dizendo que só sairia do local com uma biópsia. “Eu falei que não aguentava mais aquela situação. Ela sentia muitas dores, já estava estressada. Falei que só saia de dentro do hospital se fizessem o exame”, afirma. Rebeca saiu do hospital com uma biópsia de tireoide marcada para março.

No momento do exame, a mãe conversou com a médica, que realizou uma biópsia mais específica e detectou a presença de um tumor. “A médica me chamou e falou que o resultado do exame era sugestivo a tumor maligno. A gente imagina várias coisas, menos isso. A partir daí, começamos a correr contra o tempo”, explica Priscila.

Família busca apoio para adolescente que faz tratamento de câncer raro — Foto: Arquivo Pessoal

O diagnóstico

A adolescente foi encaminhada para o Hospital do Graacc, em São Paulo, onde passou por novos exames, que detectaram ‘linfoma anaplásico não-Hodgkin de grandes células T’. Segundo a mãe, o estado do câncer já estava avançado. “Não foi por falta de tentar, desde o primeiro momento a gente buscou ajuda”, desabafa. A notícia do câncer assustou a família, que não imaginava passar por essa situação.

O especialista explica que esse tipo corresponde a apenas 3% de todos os linfomas existentes, e geralmente acomete pessoas acima de 60 anos. “Na faixa etária dos adolescentes, chega a corresponder entre 10% e 20%. Se trata de uma desordem nas células T, que começam a se multiplicar e causam aumento dos linfonodos, em tamanho e número. Eles podem se alojar em qualquer parte do corpo”, afirma Gusmão.

Segundo o hematologista, os sintomas são aumento dos gânglios linfáticos (carocinhos), em especial no pescoço, axilas e virilha, suor noturno excessivo, perda repentina de peso, febre noturna e falta de apetite, entre outros. Ele esclarece que o diagnóstico é rápido, a partir dos exames realizados, no entanto, o que pode dificultar é o acesso ao atendimento especializado.

A mãe relata que o diagnóstico, para Rebeca, não foi fácil. “No dia em que ela descobriu, fez um vídeo para contar sobre a doença. Ela quis anunciar para o mundo que estava com câncer. Ficou triste, chorou muito, mas não entrou em depressão”. Priscila afirma que o maior impacto para Rebeca foi a perda de cabelo, que caía cada vez que se penteava após a primeira quimio. Com isso, os familiares da adolescente resolveram se solidarizar e também raspar a cabeça, incluindo a irmã mais velha.

Conforme a mãe, o tumor está localizado somente do lado direito do pescoço da menina, o que torna o tratamento um pouco menos complicado. Ainda assim, Rebeca precisará fazer um ano de quimioterapia semanal, já que esse tipo de câncer não pode ser retirado em cirurgia, mesmo a menina apresentando um tumor de quase 8 centímetros.

Para auxiliar no tratamento, a mãe teve que pedir demissão e somente o esposo trabalha para manter a família. A adolescente já passou por sete sessões de quimioterapia e, neste mês, iniciará as sessões semanais. Com o intuito de sofrer menos com o tratamento, a paciente tomará um remédio de alto custo, que auxiliará na diminuição dos efeitos colaterais da quimioterapia.

A família iniciou uma campanha virtual para arrecadar dinheiro, a fim de custear o pagamento desse medicamento, além do transporte da menina para realizar o tratamento, que é feito na capital paulista. “Nas orações, ela sempre pede para não perder a fé. É fixo nas orações dela”, finaliza Priscila. (Com informações de Vanessa Ortiz/G1 Santos)