Adolescentes da Fundação Casa participam de evento na PUC-SP

Reeducandas apresentaram performance de dança no Observatório do Racismo, promovido pela universidade.

Quatorze adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação na Fundação Casa Chiquinha Gonzaga se apresentaram no auditório Paulo Freire, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na última quarta-feira (6). A performance de dança das reeducandas marcou o lançamento do Observatório do Racismo, promovido pela universidade.

“Foram fantásticas as apresentações das meninas. Quando o público soube que são adolescentes que cumprem medida da internação, alguns suspiraram e se surpreenderam”, diz a Coordenadora Pedagógica da Fundação Casa, Andréia Motta, que acompanhou as jovens.

Na programação, as jovens, em grupos distintos, apresentaram um forró contemporâneo e uma dança afro-brasileira. No forró, a arte educadora Soraya Machado, da organização social Ação Educativa, concebeu a coreografia intitulada “Bonecas”, ao som da música “Xique Xique”, do cantor e compositor Tom Zé.

A segunda exibição foi uma dança afro-brasileira baseada na canção “Banho de Folhas”, da cantora e compositora Luedji Luna. A concepção coreográfica foi da profissional de Educação Física Eliani Aranda, funcionária do centro socioeducativo, inspirada no poder das águas, das flores e dos orixás.

“No início ficamos muito nervosas. Depois da dança, foi uma sensação incrível de realização, porque nos esforçamos muito e nos ensaios achávamos que não iríamos conseguir”, conta a adolescente Natália (nome fictício), de 16 anos, que participou das duas coreografias. “Mostramos o nosso potencial e é bom saber da nossa capacidade e que há caminhos fora do centro.”

Na Fundação Casa, os jovens em internação participam de oficinas de arte e cultura, em diferentes expressões e linguagens artísticas, que acontecem duas vezes por semana, em ciclos trimestrais. Elas são ministradas por arte educadores de organizações sociais parceiras.

“Elas trabalharam em equipe, com muita empatia e unidas. Foi muito mais do que uma apresentação. É um trabalho pedagógico que resulta num tremendo desenvolvimento para as jovens”, avalia a Coordenadora.

O Observatório é um espaço de pesquisa e discussão acadêmica, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-SP, por meio do Núcleo de Relações Raciais: Memória, Identidade e Imaginário. A iniciativa é coordenada pela professora de Ciências Sociais Teresinha Bernardes, da PUC-SP, especialista em temas como racismo, candomblé, relações de gênero e cultura afro-brasileira.