Alta da Selic pode movimentar aplicações da renda variável para a fixa, diz especialista

O preço de qualquer ação significa uma expectativa de resultados futuros daquela empresa, que deve ser maior que a taxa de juros.

A alta da Selic pode movimentar aplicações da renda variável para a renda fixa. A afirmação é do sócio-fundador da iHUB Investimentos Paulo Cunha, especialista sobre mercado financeiro. O executivo explica que a taxa de juros influencia na tomada de decisão do investidor. “Isso acontece por meio de dois mecanismos”, disse.

E acrescentou: “os juros podem interferir no momento da aplicação do dinheiro em investimentos. O primeiro é a expectativa de retorno da renda fixa pós-fixada, aquela que acompanha a rentabilidade e a subida dos juros, considerada com menor risco.”

E elencou que, desta forma, o investidor ao perceber que está recebendo um percentual mais satisfatório mês após mês, ao deixar seu valor aplicado neste segmento, pode querer aumentar sua alocação lá ou até mesmo retirar de outro lugar, onde ele acha que terá um rendimento menor.

“Atualmente, com a taxa Selic a 5,25% ao ano, o investidor já recebe próximo a 0,50% ao mês na maioria das aplicações pós-fixadas, alguns meses atrás esse rendimento não passava de 0,20% ao mês”, ressaltou.

Selic

Já o outro aspecto que impacta diretamente na decisão do investidor, mas que é menos óbvio, disse Cunha, é uma taxa de juros maior que deve oferecer uma taxa de desconto maior nas ações. O preço de qualquer ação significa uma expectativa de resultados futuros daquela empresa, que deve ser maior que a taxa de juros.

“Uma vez que os juros estão cada vez mais altos, é essencial que os resultados da empresa sejam maiores em relação ao seu preço atual, por exemplo. Em resumo, tudo se mantendo constante e a taxa de juros subindo, a tendência é o preço das ações terem um desconto”, frisou.

Pandemia

Conforme o executivo, no início da pandemia, em meados de março de 2020, houve uma preocupação muito grande por parte do Banco Central, o famoso BC, em estimular a economia através da diminuição de juros. Em fevereiro, por exemplo, a taxa Selic estava em 4,25% ao ano, já em agosto ela já tinha sido reduzida para 2,00% – patamar que nunca foi atingido antes no Brasil”, disse.

E complementou: “esse movimento de queda estimulou fortemente o crédito imobiliário, que estava mais sensível à taxa básica de juros, de modo a incentivar o setor de construção civil, no qual é uma área que consome muitos materiais básicos.”

Commodities

Segundo o especialista, após um período de demanda por commodities – matéria prima -, que foi tão forte, não só aqui no Brasil, mas no mundo todo, os preços desses materiais começaram a subir fortemente, impactando a taxa de inflação – IGPM que é o índice do atacado e, agora, o IPCA que é o índice do varejo.

“Como a inflação e a expectativa dela subiram além da meta do Banco Central, a solução foi voltar a subir os juros que, atualmente, está em 5,25% ao ano. De modo a tentar frear um pouco a demanda pelos materiais básicos e, também, segurar a cotação do dólar, na casa dos R$5,20 para tentar conter a alta inflação”, explicou.

Poupança

Com relação à poupança, ele disse que essa aplicação rende 70% da taxa Selic, resultando em 3,75% ao ano, atualmente.

“Assim, praticamente, nunca é a melhor opção voltar a investir na poupança, uma vez que é possível aplicar o dinheiro em um título público e ter a rentabilidade de 100% da Selic, totalizando 5,25% hoje, que é considerado mais seguro que a poupança”, destacou.

E disse mais: “entretanto, com a chegada da taxa básica de juros a 8%, ou em um cenário mais agressivo, acima de 10%, a renda fixa começa a ficar bem atraente e deve começar a atrair mais recursos. Visto que estará oferecendo uma rentabilidade mais satisfatória e ficando muito mais livre da volatilidade da renda variável, no qual muitos investidores tem um certo medo.”

E concluiu: “atualmente, não há expectativas no mercado financeiro que a taxa Selic sofra uma redução, pelo contrário, a dúvida está no tamanho da alta, se vai para 8% ou pode chegar a 10% já no começo de 2022. Vale ressaltar que o movimento positivo da vacinação não tem interferência com o patamar elevado da Selic, uma vez que a inflação já superou o teto da meta em 12 meses.”

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