Após 30 dias internado e dez paradas cardíacas, menino de 9 anos com sequelas da Covid-19 tem alta em SP

Arthur dos Santos teve trombose depois das paradas e quase perdeu os dois pés e as duas mãos. Ele ainda segue com tratamento no pé direito.

Após 30 dias internado em um hospital na Zona Sul de São Paulo, dez paradas cardíacas e quase ter perdido as mãos e os pés, Arthur Nascimento dos Santos, de 9 anos, teve alta nesta sexta-feira (12). A internação foi para tratar as sequelas da Covid-19.

Há pouco mais de um mês, quando o menino começou a sentir muita dor na barriga, os médicos suspeitaram de uma apendicite. Ele chegou a ser operado, mas nada foi encontrado. Apesar disso, o menino não melhorava. Um teste sorológico indicou que o Arthur tinha sido infectado pelo coronavírus e que estava com a síndrome pós-Covid.

“Ele teve dez paradas cardíacas. Em uma quarta-feira no hospital. Um dos primeiros diagnósticos do médico vascular foi que ele provavelmente ia perder os quatro membros, as duas mãozinhas e os dois pezinhos. No decorrer dos dias seguintes viram que estava tendo uma melhora”, disse a mãe de Arthur, Ellen Sousa.

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Os parentes e os vizinhos começaram uma campanha nas redes sociais pedindo orações para o menino. Como é torcedor do Corinthians, ele começou a receber mensagens dos ídolos no hospital.

Neymar Jr., jogador do PSG, mandou uma mensagem: “Quem está falando aqui é o Neymar, estou passando aqui pra falar que você é um guerreiro, torcendo aqui pela sua recuperação e que você possa alcançar todos os seus sonhos, tá? Beijo enorme, fica com Deus, beijão”, disse.

O goleiro do Bragantino, Júlio César, também mandou um vídeo: “Não vejo a poder conhecer você, te dar um abraço pessoalmente. Muita força aí. Logo logo vc vai sair do hospital e a gente vai poder conversar muito sobre futebol, eu vou estar esperando pra gente bater esse papo aí, tá bom?”

Do time do coração, ele ganhou uma camiseta autografada pelo Fábio Santos, Mosquito, Casares e o técnico Xavier. “Pra mim foi muito gratificante”, disse Arthur.

Para a mãe, a corrente de energia ajudou o menino a se recuperar.

“Depois das dez paradas cardíacas, os médicos conseguiram reanimar ele. Meu filho teve trombose nos quatro membros, nas duas mãozinhas e nos dois pés. Hoje, o pé direito se encontra em um caso mais crítico, as mãozinhas dele já estão melhorando e o pé esquerdo também. O pé direito, a gente está num tratamento para ver quais vão ser os próximos procedimentos. Ele teve um pequeno sangramento que causou uma úlcera também, precisou cicatrizar ela, creio que só isso”, disse.

Arthur com os pais após ficar um mês internado com sequelas da Covid-19 — Foto: Reprodução

Sequelas

O nome oficial e as classificações para complicações da Covid-19 devem ser definidos em breve por especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade reúne dados de pesquisas pelo mundo que já apontam, por exemplo, que as mulheres são as que mais relatam as complicações oriundas da infecção pelo Sars-Cov-2.

Um dos artigos mais recentes e abrangentes sobre o tema é de um grupo de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia. Eles fizeram a revisão de 18 mil pesquisas publicadas sobre o assunto até 1° de janeiro de 2021.

Os pesquisadores selecionaram as 15 principais publicações (nove do Reino Unido, três dos Estados Unidos, uma da Austrália, uma da China, uma do Egito e uma do México) mais relevantes sobre a Covid prolongada pelo mundo e identificaram 55 sintomas principais.

Entre os 47.910 pacientes que integraram os estudos, os cinco principais sintomas detectados foram: fadiga (58%), dor de cabeça (44%), dificuldade de atenção (27%), perda de cabelo (25%) e dificuldade para respirar (24%). Cerca de 80% das pessoas que pegaram a doença ainda tinham algum sintoma pelo menos 2 semanas após a cura do coronavírus.

Mesmo que ocorra com mais frequência em pacientes que sobreviveram à versão grave da doença, a Covid prolongada também é comum após as versões leve e moderada, sem precisar de hospitalização.

Além disso, um dos estudos analisados na revisão aponta que a fadiga após o coronavírus é mais comum entre as mulheres, assim como a perda de cabelo; os outros 14 artigos não fizeram análise por gênero.

ÁGIL DPVAT