Ararense Marcela Aquino homenageia a avó de 116 anos, que atravessou guerras, pandemias e mais de um século de transformações

Nascida em Sergipe, em 1910, Dona Laura Viena de Jesus atravessou mais de um século de história e emociona ao afirmar que sua maior riqueza sempre foi a família.

Completar 116 anos de vida é um privilégio alcançado por pouquíssimas pessoas no mundo. Nesta quarta-feira (28), Laura Viena de Jesus, carinhosamente conhecida como Dona Laura, celebrou mais um aniversário cercada pelo carinho da família e com a mesma simplicidade que marcou toda a sua trajetória.

Nascida em 28 de julho de 1910, na cidade de Lagarto, em Sergipe, Dona Laura viu o Brasil e o mundo passarem por transformações que poucas gerações tiveram a oportunidade de testemunhar. Em seus 116 anos, acompanhou o surgimento da energia elétrica em muitas regiões do país, a chegada da televisão, do telefone, da internet, dos celulares e da inteligência artificial. Também presenciou duas guerras mundiais, mudanças políticas, avanços da medicina e profundas transformações sociais.

Apesar de toda essa história, ela resume sua maior conquista em poucas palavras: a família.

“A maior riqueza da minha vida é a minha família”, afirma com convicção.

Aos 116 anos, Dona Laura diz que agradece diariamente a Deus pela saúde e pela oportunidade de continuar vivendo. Ela conta que, apesar das limitações naturais da idade, ainda consegue realizar muitas atividades sozinha.

“Tenho uma boa saúde pela minha idade. Só não tomo banho sozinha, não lavo roupa e nem prato, mas o restante consigo fazer.”

Sua fé é outro pilar que a acompanha desde a juventude. Para ela, cada novo dia representa um presente de Deus.

“Se eu abrir os olhos e respirar, não existe riqueza maior. O dinheiro é importante, mas saúde e vida são a verdadeira riqueza. O dinheiro é apenas um complemento.”

Uma vida marcada pelo trabalho e pela superação

As lembranças da infância e da juventude revelam um Brasil muito diferente do atual.

Segundo Dona Laura, crescer no interior de Sergipe significava enfrentar dificuldades que hoje parecem distantes da realidade.

“No meu tempo não tinha água encanada, não tinha energia elétrica. Tudo era muito difícil.”

Sem oportunidade de frequentar a escola, ela nunca aprendeu a ler e escrever.

“Sou uma simples analfabeta. Nunca tive oportunidade de estudar.”

Mesmo assim, construiu sua história por meio do trabalho.

Durante muitos anos trabalhou na zona rural, cultivando e colhendo algodão, mandioca, batata, fumo e outras culturas agrícolas.

“Se eu for contar tudo o que já passei, vamos ficar aqui o dia inteiro.”

A simplicidade com que narra sua trajetória evidencia uma geração que enfrentou dificuldades sem perder a esperança.

A dor que nunca passou

Entre tantas lembranças, existe uma que ainda emociona Dona Laura.

Ela perdeu um dos três filhos e diz que essa dor permanece viva até hoje.

“Perdi um filho. Fiquei muito triste e sinto essa falta até hoje.”

Mesmo carregando essa saudade, ela encontra forças no carinho dos dois filhos que permanecem ao seu lado e dos netos, que considera uma das maiores bênçãos de sua vida.

Um conselho para os jovens

Ao olhar para as novas gerações, Dona Laura deixa uma mensagem baseada na própria experiência.

Para ela, a educação representa a maior oportunidade que uma pessoa pode receber.

“Eu desejo tudo de bom para os jovens. Que estudem e aproveitem as oportunidades. O estudo é o melhor caminho.”

Sem ter tido acesso à escola, ela acredita que o conhecimento transforma vidas e abre portas para um futuro melhor.

Também lamenta a violência presente na sociedade atual e afirma que o mundo seria muito melhor se houvesse mais paz entre as pessoas.

Homenagem da família

Entre as muitas demonstrações de carinho recebidas pelos 116 anos, uma das mais emocionantes veio da neta Marcela Aquino, nascida em Araras (SP).

Orgulhosa da história da avó, Marcela fez questão de homenagear Dona Laura pela data especial.

“Parabéns, vovó, pelos seus 116 anos. Sua história é um exemplo de força, humildade, fé e amor pela família. Somos muito felizes por termos você conosco. Que Deus continue lhe concedendo saúde, paz e muitos momentos ao lado de todos nós. Te amamos muito.”

Um legado que atravessa gerações

A história de Dona Laura vai muito além da longevidade. Ela representa uma geração que enfrentou dificuldades extremas, trabalhou desde cedo, criou filhos com dedicação e encontrou na fé e na família motivos para seguir em frente.

Ao completar 116 anos, ela deixa um legado de simplicidade, gratidão e perseverança.

Sua mensagem final resume a forma como escolheu viver:

“A nossa riqueza e a base de tudo é a família. Agradeço a Deus por cada momento da minha vida.”

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