Audiência virtual marca início do julgamento do padre Leandro Ricardo acusado de abuso sexual em Araras, SP

A Justiça determinou três dias de audiências, informou um dos advogados das vítimas.

Ex-reitor da Basílica Santo Antônio de Pádua, em Americana (SP), será confrontado com as vítimas que o acusam de abuso sexual em Araras (SP). Nesta terça-feira (8), o padre Pedro Leandro Ricardo, que foi reitor da Basílica de Santo Antônio de Pádua, em Americana, será confrontado com aqueles que o acusam de abuso sexual. É que neste dia será realizada a primeira audiência virtual no Fórum de Araras, cidade onde teriam ocorrido os crimes sexuais.

A Justiça determinou três dias de audiências, informou um dos advogados das vítimas, Roberto Tartelli, que atuará ao lado de Talitha Camargo, Gustavo Paiva e Aline Giacon. Tardelli explicou que o magistrado teve sensibilidade para entender toda a gravidade e a fragilidade das vítimas, que ficarão face a face com o padre afastado, mesmo de forma virtual. “Nesses casos de abuso sexual, a condição emocional da vítima fica muito prejudicada”, disse o advogado de acusação. O número de vítimas não foi informado.

O que ocorre, explicou o advogado, é que demora um tempo para a vítima entender que o ocorrido se tratava de abuso sexual e para enfrentar os traumas gerados, inclusive o sentimento de culpa. “A culpa é uma companheira muito grande para levar por toda sua vida”, afirmou o advogado. Os três dias de audiência visam tratar as vítimas com delicadeza, cuidado e respeito, explicou o advogado.

Tardelli prevê momentos difíceis pela frente. “A presença do padre é uma presença opressora para todos”, explicou. “É uma situação em que vão rever o algoz”, comentou.

A acusação já definiu toda a estratégia de atuação, mas o advogado preferiu não detalhar os pormenores. Porém, admitiu que a Igreja Católica não opôs obstáculos para os advogados terem acesso a todas as informações disponíveis sobre a passagem do padre Leandro por Araras, onde os crimes teriam ocorrido.

“Para nossa felicidade, a Igreja Católica, que, historicamente, se manteve na defesa apaixonada dos padres envolvidos em escândalos sexuais, de alguns anos para cá mudou sua estratégia”, disse Tardelli.

Atualmente, ressaltou, a Igreja é uma das maiores interessadas que os fatos sejam esclarecidos. “Só interessa o silêncio a quem comete o crime”, disse o advogado das vítimas. Esse posicionamento da Igreja de apuração de fatos extremamente dolorosos tranquiliza os defensores e as vítimas.

Ainda não há uma previsão sobre o proferimento da sentença. “A complexidade do caso vai impedir que a sentença seja dada em audiência”, acredita Tardelli. Este advogado já tem experiência nesta área. Já atuou em caso de líderes religiosos que foram acusados de abusar sexualmente de fieis que frequentavam a igreja.

PERFIL DE ABUSADOR

O advogado fez uma comparação entre o caso do padre Leandro e dos demais em que atuou. “A história era muito parecida. O líder conquista a família e demonstra toda uma superioridade moral infinita, por ser um representante de Deus na Terra. E isso causava um temor reverencial. Isso torna o abuso mais cruel. E demora para a pessoa perceber que é vítima. Até a vítima se conscientizar que é vítima, já foi muito explorada sexualmente”, explicou o advogado.

Outro perfil comum aos casos. “Nenhum abusador é uma pessoa violenta. O abusador sexual é acima de tudo um sedutor”, diz o advogado, também em referência ao padre Leandro. Normalmente, são pessoas carismáticas e inteligentes.

A previsão é que haja momentos tensos e muito complicados durante a audiência. Existem muitas “feridas abertas”, disse Tardelli. “Nossa função lá vai ser conter a fúria dos advogados do padre”, explicou.

Desde o dia 14 de maio, quando a reportagem entrevistou Tardelli, o JA tenta ouvir o advogado do padre, Paulo Sarmento, mas, até o momento, não retornou aos recados deixados com a atendente do escritório de advocacia. Para mais informações sobre o caso acesse: www.jornalamericanense.com.br.

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ÁGIL DPVAT