Aumento da isenção do Imposto de Renda beneficia mais de 90% dos trabalhadores formais de Araras, SP

Esse alívio tributário deve injetar aproximadamente R$ 6 milhões por mês na economia local — algo em torno de R$ 80 milhões ao ano — reforçando o consumo e o orçamento das famílias ararenses.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, em 26 de novembro, a lei que eleva para R$ 5 mil o limite de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física. A medida também cria um desconto para rendas de até R$ 7.350, reduzindo de forma significativa o peso do tributo sobre grande parte dos assalariados. As novas regras passam a valer já na próxima declaração.

Para compensar a queda na arrecadação e manter o equilíbrio das contas públicas, a legislação aumenta a tributação sobre rendas muito altas — superiores a R$ 600 mil anuais.

Impacto em Araras

O efeito da mudança é expressivo no município. Com a ampliação da faixa isenta, 83,7% dos empregos formais de Araras deixam de pagar Imposto de Renda, ante 52,2% pela regra anterior. Quando se considera também o desconto progressivo para rendas de até R$ 7.350, o alcance sobe para 93,4% dos trabalhadores formais beneficiados.

Esse alívio tributário deve injetar aproximadamente R$ 6 milhões por mês na economia local — algo em torno de R$ 80 milhões ao ano — reforçando o consumo e o orçamento das famílias ararenses.

Setores mais impactados

Na indústria de transformação, que concentra grande parte dos empregos formais do município, mais de três quartos dos trabalhadores passam a integrar a nova faixa de isenção, e quase todos terão algum nível de redução no imposto.

No comércio, onde é comum a presença de salários até R$ 5 mil, a isenção se torna praticamente universal: mais de 92% dos vínculos deixam de pagar IR, estimulando as vendas e o dinamismo econômico.

Mobilização sindical e avanços futuros

Segundo o ararense Sergio Luiz Leite, o Serginho, presidente da Fequimfar e vice-presidente da Força Sindical, a ampliação da isenção é fruto direto da pressão organizada do movimento sindical. Desde 2022, representantes dos trabalhadores apresentaram ao governo propostas por um sistema tributário mais justo, além de participarem de mobilizações nacionais contra a PEC da Blindagem e em defesa da redução da jornada e do fim da escala 6×1.

Apesar do avanço, Serginho destaca que ainda há desafios importantes:

  • atualização integral da tabela do IR;

  • isenção total da PLR;

  • tributação de lucros e dividendos, que não ocorre há quase 30 anos.

“É um passo importante, mas não resolve todas as desigualdades do sistema tributário. A luta pela redução da jornada, pelo fim da escala 6×1 e por mais justiça fiscal precisa continuar”, afirma.

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