Escoltado por agentes da Polícia Penal, o réu chegou ao local sob os gritos de protesto de populares que exigiam justiça.
O julgamento do cantor João Victor Malachias, acusado de assassinar brutalmente a dentista Bruna Angleri, teve início nesta quarta-feira (16) no Fórum de Araras (SP), em meio a uma atmosfera de intensa comoção e revolta.
Escoltado por agentes da Polícia Penal, o réu chegou ao local sob os gritos de protesto de populares que exigiam justiça. Do lado de fora, cartazes e manifestações lembravam a dor de uma cidade inteira. Do lado de dentro, o clima era de tensão e lágrimas, principalmente entre amigos e familiares de Bruna, que acompanham o júri com expectativa e dor no peito.
O primeiro a prestar depoimento foi o delegado Tabajara Zuliani dos Santos, responsável pela condução das investigações. Em um relato detalhado e contundente, ele reconstruiu o crime que chocou Araras em setembro de 2023: Bruna foi encontrada morta com parte do corpo carbonizada dentro de um condomínio de alto padrão. “Ela foi executada com um tiro de escopeta calibre 36 no rosto”, declarou o delegado, ao afirmar que a arma utilizada é normalmente destinada à caça.
Outro ponto revelador do depoimento foi a recusa de João Victor em se submeter ao exame de corpo de delito ao se apresentar espontaneamente na delegacia. Quando finalmente foi capturado, apresentava arranhões no peito — lesões compatíveis com sinais de luta e defesa por parte da vítima.
A perícia também confirmou que o DNA encontrado sob as unhas de Bruna era masculino, reforçando a tese de que ela tentou desesperadamente se defender do agressor. “Ela lutou pela própria vida”, resumiu o delegado.
As investigações indicaram ainda que o celular de João Victor se conectou à rede Wi-Fi da residência de Bruna no dia do crime. Além disso, o telefone da vítima, que havia sido furtado, emitiu sinal de conexão 3G em uma torre localizada próxima ao esconderijo do acusado.
O julgamento, que promete ser um marco na luta por justiça em casos de feminicídio, deve continuar nos próximos dias. Familiares e movimentos em defesa das mulheres acompanham cada etapa com atenção redobrada.
Fonte: RCA1



