Câmeras de segurança registram troca de tiros entre colecionador de armas e PMs no interior de SP

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Confronto terminou com acusado e dois policiais baleados em Marília (SP), no ano passado. Justiça decidiu pela absolvição do colecionador com o reconhecimento de sua inimputabilidade, ou seja, que ele não tinha consciência dos atos praticados.

Um vídeo que mostra a troca de tiros entre o empresário Francis Vinícius Bez Angonese e policiais militares, em Marília (SP), no ano passado, foi divulgado nesta quarta-feira (29). O caso foi registrado em 30 de setembro de 2021. Após decisão judicial do mês passado, o acusado foi considerado inimputável.

Nas imagens, é possível ver o exato momento em que o empresário sai da garagem armado e efetua disparos contra os policiais com uma pistola 9 mm. Por outro ângulo, é possível ver ainda que a equipe policial tenta se abrigar atrás de um poste na rua. Após o confronto, dois membros da corporação são atingidos pelo disparos do morador, sendo que um deles chega a ficar no chão.

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Um dos policiais foi atingido na perna, e o projétil transfixou, causando fratura óssea. Já o outro PM foi atingido por três disparos, no pé, quadril, ombro e braço, e passou por cirurgia para retirada dos projéteis.

Na sequência, Francis, que era atirador esportivo registrado, também cai baleado após a intensa troca de tiros e é detido pelos policiais. Segundo consta nos laudos do processo, ele foi atingido por três disparos. Assim como os PMs, Francis também precisou passar por cirurgia e chegou a ficar internado no Hospital das Clínicas de Marília sob escolta policial.

Tiroteio

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Francis passou a efetuar disparos para o alto com uma espingarda calibre 12 e uma de suas pistolas. O empresário estaria irritado por uma discussão anterior que teria tido com o vigilante que atua na rua de sua residência. Após ingerir bebida alcoólica, o acusado passou a efetuar disparos inicialmente no jardim e, posteriormente, no quintal , enquanto gritava “hoje eu mato ou eu morro”.

De acordo com o MP, a Polícia Militar foi acionada para atender à ocorrência de disparo por vizinhos e, ao chegar ao endereço, a equipe acionou a campainha da residência. Neste momento, o empresário teria ido até a garagem armado e novamente efetuado disparos com a espingarda calibre 12 em direção à via pública.

Durante o processo, ficou constatado que Francis possuía em casa uma pistola calibre 9 mm e outra calibre 380, além de uma espingarda calibre 12, bem como várias munições e apetrechos para a recarga delas. À época, a PM informou que a equipe se abrigou atrás de um poste para tentar a negociação, mas neste momento o morador começou a atirar com uma pistola.

Absolvição

Em decisão proclamada no dia 30 de maio, a Justiça de Marília absolveu o empresário, de 31 anos. Em sua justificativa, o juiz Fabiano da Silva Moreno, que julgou o caso, entendeu que o incidente de insanidade mental concluiu que o acusado preenche critérios diagnósticos para transtorno afetivo bipolar, com episódio de mania e sintomas psicóticos.

Diante desta circunstância, o magistrado decidiu pela absolvição com o reconhecimento de sua inimputabilidade, ou seja, que ele não tinha consciência dos atos praticados contra os policiais militares. Francis respondia por dupla tentativa de homicídio qualificada, com agravantes que poderiam ampliar a pena: tentativa de ocultar o primeiro crime (disparos de arma de fogo na casa) e crime contra a autoridade policial. Antes da decisão judicial, ele chegou a ficar preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Álvaro de Carvalho (SP).

Em sua decisão, o juiz aplicou a medida de segurança de internação, em estabelecimento adequado, por prazo indeterminado, sendo, no mínimo, de três anos. A medida de segurança imposta perdura enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade do réu, que tem por finalidade avaliar o risco de violência que o acusado oferece à sociedade.

A perícia médica será realizada ao término do prazo mínimo fixado na decisão e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juízo da execução penal.

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