Cidades do interior paulista fazem racionamento de água por causa da seca

Em São José do Rio Preto, de 13h às 20h, torneiras estão secas para 180 mil moradores. Em Sorocaba, também há racionamento de água e 50 mil moradores foram afetados pela medida. Em Santo Antônio de Posse começa racionamento de água a partir desta segunda-feira (5), corte será realizado das 9h às 16h.

A secura atinge até o sudeste do país. O interior de São Paulo registrou temperaturas históricas essa semana. Os reservatórios de água estão secando e milhares de pessoas enfrentam o racionamento de água, em plena pandemia.

A terra seca é consequência de uma das estiagens mais severas dos últimos 50 anos no noroeste de São Paulo. Em uma fazenda em José Bonifácio, onde antes era uma represa, hoje é possível caminhar sem molhar os pés. Há quase 100 dias não chove na região.

clique na imagem e saiba mais

“É uma tristeza muito grande né, porque conhecer isso aqui do jeito que a gente conheceu, essa água em cima dos barrancos, e agora ver uma situação dessa, não tem jeito”, desabafa Sérgio Firmino, pecuarista.

A estiagem também baixou a vazão de várias nascentes e córregos. A régua que mede o nível de água no Turvo, um dos principais rios do interior de São Paulo, já chegou ao zero. No córrego Barra Grande, afluente do Rio Preto, o nível também recuou.

São José do Rio Preto

Parte de São José do Rio Preto é abastecida pelo rio que dá nome à cidade. Mas a estiagem fez aparecer no meio da represa preto bancos de areia que antes ficavam encobertos. O nível está muito baixo. Por causa disso, moradores já enfrentam racionamento de água.

De 13h às 20h, torneiras secas para 180 mil moradores. O dono de restaurante Vander Rodrigues teve que mudar a rotina do restaurante: “Todos os dias a funcionária chega cedo, armazena água, aí começa a fazer o processo, a fazer a comida”.

Sorocaba

Em Sorocaba, também há racionamento de água. Cinquenta mil moradores foram afetados pela medida. “Vi lavando aos poucos. A louça vai ficando. Quando chega total a gente vai para louça, senão acaba da caixa d’água, então a gente vai usando bem pouquinho”, diz Ana Paula Membrive, moradora.

O nível da água de uma pedreira em Salto de Pirapora baixou devido à estiagem e 15 carros e uma moto que estavam submersos apareceram. Os veículos passaram por perícia, mas a polícia acredita que tenham sido descartados pelo golpe do seguro.

Além da seca, as altas temperaturas e baixa umidade do ar têm castigado o interior de São Paulo.

Ilha Solteira registrou essa semana a temperatura mais alta dos últimos 29 anos, desde quando a Universidade Estadual Paulista (Unesp) começou a fazer o monitoramento na cidade: os termômetros marcaram 44,8 graus. Em Araçatuba, 42 graus. E em São José do Rio Preto, 40 graus. Mas a sensação térmica, foi muito pior. E o rio-pretense que já é acostumado com o calor, reclamou.

“Está muito quente, insuportável, parece que a gente está dentro de um forno,, relata Cristiele Martins, dona de casa. “É calor puro, a gente está fritando”, diz Ana Neris Amorim, confeiteira.

Santo Antônio de Posse

A Prefeitura de Santo Antônio de Posse (SP) começa a fazer um racionamento de água na cidade a partir desta segunda-feira (5). Segundo a administração, a medida, publicada em decreto no Diário Oficial na sexta-feira (2), precisou ser tomada para “garantir o abastecimento” da população em meio ao período de estiagem.

O corte de água será realizado das 9h às 16h, período em que os municípios da região de Campinas têm enfrentado um forte calor. A onda de altas temperaturas vai continuar nesta semana, com os termômetros chegando próximos dos 40ºC, de acordo com o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp.

Com o racionamento, o Executivo determina que a população evite o desperdício de água. Segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE) da cidade, práticas como aguar gramados e jardins, deixar torneiras e mangueiras ligadas de forma contínua, além de lavar carros, calçadas, quintais e ruas só podem ser feitos se for utilizada água de reuso.

Os lava jatos podem continuar funcionando na cidade desde que tenham sistema que reduza o consumo de água tratada. O morador que descumprir a medida pode pagar multa e o valor dobra em caso de reincidência. A fiscalização vai ser feita por funcionários do DAE e por outros agentes municipais.

Durante o período de racionamento, a prefeitura também pode retirar água de imóveis rurais particulares que tenham lagos, nascentes e outras fontes hídricas. A Estação de Tratamento de Água (ETA) do município opera nesta segunda-feira com 30% da capacidade.

Quem presenciar alguma atividade de desperdício de água pode fazer a denúncia na prefeitura pessoalmente ou por meio de redes sociais, desde que tenha endereço e provas documentais (fotos ou vídeos) de quem está cometendo a irregularidade.

Araras

O Saema –  Serviço de Água e Esgoto do Município de Araras (SP), embora não esteja com racionamento, divulgou uma nota na tarde de sexta-feira (2), informando que a elevação dos termômetros nos últimos dias tem contribuído para o aumento no consumo de água na cidade, ocasionando a falta de água em algumas regiões da cidade.

Ainda de acordo com a publicação, para evitar o desabastecimento neste período de altas temperaturas, o Saema pede para a população de Araras fazer o uso consciente da água. Segundo a autarquia, um carro de som está rodando os principais pontos do município, com uma campanha de conscientização, solicitando a todos os munícipes que economizem água, evitando lavar calçadas, quintais e carros, por exemplo.

Ações que também ajudam a diminuir o consumo de água são: reduzir o tempo do banho, reaproveitar a água da máquina de lavar roupa, manter a torneira fechada enquanto escova os dentes e faz a barba, desligar o chuveiro enquanto se ensaboa e principalmente corrigir vazamentos em casa.

Apesar deste drama vivido pela população neste momento de alta temperatura, o problema da falta de água em alguns bairros está prestes a ser resolvido de vez pela Prefeitura. Isso porque o prefeito Junior Franco deu início neste ano à implantação do Sabaz Leste, que é um projeto para reforçar o abastecimento de água tratada para todos os bairros da região leste e, consequentemente, liberar água para os reservatórios de outras regiões da cidade.

As obras já estão na fase final e a primeira etapa deve ser concluída nas próximas semanas. O Sabaz Leste consiste na instalação de tubos de 630 mm de diâmetro, por cerca de 8 km, direto da Estação de Tratamento de Água, no Jardim Cândida, até a Estação Elevatória do José Ometto, em frente ao Estádio Hermínio Ometto. Os tubos já foram instalados na maioria do percurso, faltando apenas um pequeno trecho próximo ao Hospital Pró Saúde.

Enquanto o sistema não é concluído, a autarquia está realizando ações alternativas, para amenizar o problema mais rapidamente, interligando o que já está implantado em outra rede até a implantação total da nova tubulação.

De acordo com o Saema, somente nos últimos 3 dias de setembro foram consumidos 11 milhões de litros de água a mais, se comparado ao últimos três dias do mês de agosto. O consumo além do normal já provoca prejuízos, como a falta de água em algumas regiões da cidade.

Atualmente, as barragens que abastecem Araras estão com bons níveis de água, mas é época de estiagem e, além da pouca chuva, as altas temperaturas estimulam o consumo, diminuindo mais rapidamente o nível dos reservatórios.