Clínicas privadas temem falta de vacinas contra gripe com alta demanda após surto em 2021

Imunizantes são importados e as compras foram realizadas antes da disparada dos casos da doença; Ministério da Saúde não contemplará crianças de 5 anos na campanha de 2022.

O presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas, Geraldo Barbosa, explicou que as vacinas contra a gripe disponibilizadas na rede privada são importadas e as compras são feitas com planejamento bastante adiantado. A preocupação é que a demanda seja maior que as encomendas feitas até aqui, sobretudo após o surto da doença no final do ano passado.

“O mercado de vacina de influenza é um mercado sazonal e é muito influenciado pelas demandas. Então, o que aconteceu no final do ano com o número de casos de influenza gerou uma necessidade, uma expectativa de mais doses. Só que a indústria faz uma projeção de produção que não consegue acompanhar esse aumento de demanda. A nossa preocupação é porque o número de doses que já estava programado e a gente não tem a expectativa de ter doses adicionais”, detalhou Barbosa.

Outro fator que pode impactar a procura é que esse ano o governo federal não vai contemplar crianças de cinco anos. Em campanhas anteriores, o público infantil ia até seis anos incompletos. Pelo SUS, a campanha de vacinação tem início em todo o país no dia 4 de abril. Segundo o Ministério da Saúde, serão distribuídas 80 milhões de para um público alvo calculado em 66,5 milhões de pessoas.

A vacina utilizada é a influenza trivalente, que protege contra H1N1, H3n3 e tipo B. Nós entramos em contato com o Ministério da Saúde sobre a exclusão das crianças de cinco anos, mas a pasta não explicou o porquê da mudança.

Em nota, disse apenas que o público prioritário inclui idosos; trabalhadores da saúde; crianças de seis meses a menores de cinco anos de idade; gestantes e puérperas; povos indígenas; professores; pessoas com comorbidades ou deficiência permanente; força de segurança, salvamento e forças armadas; caminhoneiros e trabalhadores de transporte coletivo, rodoviário, de passageiros urbano e de longo curso; trabalhadores portuários; funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alexandre Naime, lembra que a gripe também pode evoluir para casos graves e que o principal benefício da vacinação é evitar isso. A vacina também contribui para o menor risco de surto.

“A vacina contra a gripe diminui, de alguma forma, a transmissibilidade do vírus influenza. Isso traz, então, menor riscos de surtos, de pequenos epidemias em escolas, em creches, em locais onde essas crianças acabam se aglomerando”, detalhou. Para as crianças a orientação do Ministério da Saúde é que aqueles que nunca receberam a vacina contra a gripe na vida faça o esquema vacinal completo com duas doses em intervalo de 30 dias entre elas.

*Com informações da repórter Carolina Abelin

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