Como a medicina regenerativa pode mudar as perspectivas de envelhecimento

Cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, conseguiram rejuvenescer em 30 anos as células da pele de uma mulher de 53.

A capacidade de funcionamento das células humanas diminui à medida que envelhecemos. Enquanto o genoma acumula marcas de envelhecimento, a biologia regenerativa tem como objetivo reparar ou substituir essas células.

Uma dos mecanismos utilizados pelos cientistas tem como base a nossa capacidade de criar células-tronco induzidas. Em teoria, essas células-tronco têm o potencial para se tornar qualquer tipo de célula. Os cientistas buscam maneiras de recriar as condições necessárias para diferenciá-las de acordo com propósitos definidos.

Pesquisadores do Instituto Babraham, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram uma nova técnica para rejuvenescer as células da pele. O método permitiu o rejuvenescimento em cerca de 30 anos das células de uma mulher de 53 em um estudo.

Embora a pesquisa esteja em fase inicial, ela poderá trazer avanços na medicina regenerativa, como o potencial de aplicação em outros tipos de células. Na edição desta terça-feira (12) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou como funciona a medicina regenerativa.

“Células danificadas ou envelhecidas da pele de uma mulher de 53 anos foram submetidas a procedimentos em laboratório e, através de um processo de involução, como se fosse um caminho de volta da célula-tronco, que seria a célula original de todas as células do nosso corpo, conseguiu se detectar alterações compatíveis com o rejuvenescimento de 30 anos”, explica.

Uma das dificuldades encontradas pelos cientistas na aplicação da técnica usada para produzir células-tronco é o apagamento da identidade celular. De acordo com o Instituto Babraham, o novo método foi capaz de driblar o problema ao interromper a reprogramação em parte do processo.

Isso permitiu que os pesquisadores encontrassem o equilíbrio preciso entre a reprogramação das células, tornando-as biologicamente mais jovens, enquanto ainda eram capazes de recuperar sua função celular especializada.

Para verificar que as células foram rejuvenescidas, os pesquisadores procuraram mudanças nas características do envelhecimento.

“Nossa compreensão do envelhecimento em nível molecular progrediu na última década, dando origem a técnicas que permitem aos pesquisadores medir alterações biológicas relacionadas com a idade nas células humanas. Conseguimos aplicar isso no nosso experimento para determinar a extensão da reprogramação alcançada pelo nosso novo método”, explicou Diljeet Gill, pós-doutorando no instituto, que participou do estudo, em um comunicado.

Novas perspectivas

A pesquisa poderá abrir caminhos para o desenvolvimento de novos tipos de medicamentos. O método utilizado no estudo também teve efeitos em outros genes ligados a doenças e sintomas relacionados à idade, como o gene APBA2, associado à doença de Alzheimer, e o gene MAF com papel no desenvolvimento de catarata.

“Nossos resultados representam um grande avanço em nossa compreensão da reprogramação celular. Provamos que as células podem ser rejuvenescidas sem perder sua função e que o rejuvenescimento busca restaurar alguma função das células velhas”, disse Gill.

De acordo com o neurocirurgião Fernando Gomes, os achados têm potencial para novas descobertas de tratamento para doenças cardíacas e neurológicas.

“O aparelho cardiovascular, que acaba sendo o grande ponto de impacto que a humanidade tem – grande parte das pessoas que morrem tem um problema cardiovascular. Até mesmo questões relacionadas com a saúde neurológica, podemos imaginar o Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas sendo alvo desse estudo”, conclui.

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