Covid-19: Homem de 38 anos recebe alta após 20 dias internado na UTI em Limeira, SP

Tiago Sacramento Rodrigues não tinha comorbidades e mesmo assim desenvolveu a forma grave da doença, de acordo com a prefeitura.

Após 20 dias internado com Covid-19 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Unidade de Referência de Coronavírus (URC) de Limeira (SP), um paciente de 38 anos teve alta nesta sexta-feira (14). Tiago Sacramento Rodrigues não tinha comorbidades e mesmo assim desenvolveu a forma grave da doença.

“Nem sei por tempo fiquei aqui entre a internação e UTI. Às pessoas que ainda não acreditam no perigo desta doença, peço que acreditem. Esta doença está em todo lugar. Não sei como posso ter me contaminado. E é gravíssimo! Então, vamos evitar e fazer tudo corretamente. É uma nova vida. Vou reaprender a viver”, celebrou.

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Sobre os profissionais que cuidaram dele, disse que vão ficar guardados para sempre no canto do coração dos que marcaram seu renascimento. “Eles se empenharam ao máximo para me tirar dali”, comentou. Após um forte abraço, a esposa Cátia relatou o quanto é gratificante vê-lo saindo bem e com saúde, depois de tudo.

Intubado por 11 dias

Médico da UTI, o intensivista e diretor clínico da Humanitária, André Dahmen Rodrigues conta que Tiago começou com um quadro gripal comum e depois de cinco ou seis dias, evoluiu para dispneia (falta de ar).

Na sequência, ele apresentou insuficiência respiratória e, neste momento, foi solicitada vaga na UTI. “Tentamos fazer a ventilação não invasiva, em que o ar é empurrado por meio de uma máscara. É a última tentativa para o paciente não ir para o tubo. Mesmo com este procedimento e outras técnicas, a saturação, a quantidade de oxigênio circulando no sangue, estava baixa. Não teve jeito e foi intubado”, detalhou.

Alta de Tiago: paciente começou com um quadro gripal comum e evoluiu para falta de ar — Foto: Adilson Silveira/ Prefeitura de Limeira

Sem fator de risco

O médico ressaltou que muito se fala dos fatores de risco que influenciam no desenvolvimento da forma grave da doença – pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade, asma, DPOC. Porém, o que chamou a atenção é que o paciente é jovem e não tinha nenhum fator de risco.

“Por mais que seja uma doença nova e não tenha ainda muitas publicações, sabemos que, por exemplo, não é porque uma pessoa nunca fumou que ela não pode ter câncer de pulmão”, explicou.

O médico acredita que o componente genético do paciente pode ter exacerbado uma resposta inflamatória muito importante. “A mesma carga viral inalada por uma pessoa, mesmo sem fator de risco, e com a mesma idade, pode não desenvolver a forma grave”, acrescentou, observando que não é algo comum nesta pandemia.

André também diz que, não é porque pela política de saúde do governo do Estado em que a região evoluiu para a fase amarela, que as medidas de distanciamento social e etiquetas respiratórias devem ser ignoradas.

“É evitar aglomeração, porque neste meio não se sabe quem pode contrair o vírus e ficar em situação grave. Máscara, distanciamento social, higienização frequente das mãos. Não tem jeito”.