Cresce procura por marcas mais baratas nos supermercados, aponta Abras

Estabelecimentos apostam em promoções, produtos próprios e mudanças das gôndolas para atender a nova realidade.

Com uma inflação acumulada de 9,12% nos alimentos nos últimos 12 meses, segundo o IBGE, a alta nos preços vem provocando uma mudança nos hábitos dos brasileiros e, consequentemente, readequações nos supermercados.

Enquanto os consumidores trocam marcas tradicionais por mais baratas, os estabelecimentos apostam em promoções, produtos próprios e mudanças das gôndolas para atender a nova realidade.

Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que a substituição de marcas acontece especialmente nas commodities, como arroz, feijão, açúcar, óleo e café.

No caso do óleo, a fatia do faturamento vinda dos produtos “lowprice” (até 80% do preço médio) subiu de 54,90% para 59,40% no comparativo entre os dois primeiros meses deste ano e o mesmo período de 2021. Já o faturamento vindo das mercadorias premium (de 120% o preço médio) caiu de 40,90% para 36,20%.

A superintendente executiva da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Keila Prates, aponta que as famílias ainda se adequam às alterações no orçamento.

“Da pandemia para cá, no início, nós percebemos uma alta de estocagem. Depois, com o advento do Auxílio Emergencial, aumentou bastante o consumo, mas ele também foi dividido com outras despesas. Nesse ano, nós vamos percebendo uma mudança de marcas, com o consumidor optando por aquelas outrora não tão solicitadas”, apontou à CNN.

Uma das consequências do movimento do consumidor é a criação de marcas próprias pelos supermercados para ampliação da oferta dos produtos de baixo custo, segundo Keila Prates.

Esse cenário levou, por exemplo, à ampliação do número de marcas de arroz no ano passado, que chegou a 101, como aponta a Abras.

Além dos grãos, os setores de higiene, limpeza e beleza registram o fenômeno da substituição, segundo pesquisa da consultoria Kantar sobre o ano de 2021. Uma das mudanças vistas, por exemplo, foi a maior procura dos clientes por embalagens grandes de amaciantes, água sanitária e alvejantes.

O levantamento ainda apontou que os compradores também vêm economizando na escolha de detergente, desengordurante, esponja, desodorante, maquiagem, xampu e lâminas de barbear.

Por outro lado, os consumidores optaram por embalagens menores no setor de mercearia doces, como chocolates, em que a preferência ainda é por marcas mais caras. Além dele, apenas o setor de pets, com a venda de rações de cães e gatos, registrou crescimento em 2021.

O levantamento da Kantar aponta ainda outras mudanças no consumo durante o ano de 2021. Produtos como o filé e outros tipos de carne bovina perderam espaço, enquanto arroz, feijão, salada e frango ganharam destaque.

Segundo a superintendente executiva da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Keila Prates, as novidades são resultado da inflação e do desemprego.

“A inflação, principalmente com relação às commodities, impacta muito. Os combustíveis também acabam elevando, em última ordem, os preços nas gôndolas, porque precisamos do meio de transporte”, disse.

“O desemprego também impacta. A gente costuma dizer que o nosso setor não é uma ilha, precisamos que os outros setores estejam atuando, pois não vivemos sem a atuação da economia como um todo”, acrescentou.

Os supermercados ainda aguardam os impactos da guerra na Ucrânia, como a alta do óleo diesel e do trigo. A expectativa é que o setor tenha um panorama dos efeitos nos próximos 15 dias.

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