Curativo mais barato à base de composto do açafrão é criado por pesquisadores da Embrapa em conjunto com UFSCar e USP

Estudo foi publicado nesta revista científica Science Direct e busca parcerias para produção.

Pesquisadores de São Carlos (SP) criaram um curativo versátil à base de nanofibra e composto extraído do açafrão. Além de ser mais barato, o produto também ajuda a preservar o meio ambiente.

O curativo foi desenvolvido pela Embrapa Instrumentação em conjunto com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade de São Paulo (USP). O estudo foi publicado nesta revista científica Science Direct. Os pesquisadores aguardam parcerias para começar a produção em larga escala.

Ampla utilização

O novo modelo de curativo cutâneo multifuncional para tratamento de feridas foi criado a partir da curcumina, substância encontrada no pó dourado do açafrão-da-terra. Foram usados ainda borracha e bolinhas feitas de PLA, um tipo de plástico.

Os cientistas misturam e dissolvem os ingredientes. O líquido vai para uma máquina que produz os fios. Três horas depois, o curativo está pronto e a camada fina com meio milímetro de espessura pode ser aplicada nos ferimentos com uma ampla utilização, segundo Paulo Chagas, pesquisador da UFSCar.

Cicatrização mais rápida

Segundo os cientistas, as propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas da curcumina garantem uma cicatrização mais rápida do que outros tipos de curativo. Além disso, os riscos de infecção são menores.

De acordo com os pesquisadores, o curativo também oferece um ganho para o meio ambiente, uma vez que ele é fabricado a partir de plásticos biodegradáveis. “Quando o curativo é descartado, ele leva alguns meses pra ser degradado quando comparado a produzidos comerciais que levam alguns anos. É uma grande vantagem, pois isso reduz a poluição ambiental”, disse o pesquisador da Embrapa Instrumentação Danilo Martins.

Propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas da curcumina garantem uma cicatrização mais rápida com curativo desenvolvido em São Carlos — Foto: Paulo Chiari/EPTV

Baixo custo

Outra vantagem é o baixo custo. Segundo o pesquisador da Embrapa Daniel Souza Corrêa, o valor é de aproximadamente R$ 1 para um tamanho de dez por dez centímetros. “É um custo muito inferior aos curativos convencionais que a gente tem no mercado. A ideia é que quando esse curativo seja produzido em escala, esse custo possa ser reduzido ainda mais”, disse.

O próximo passo é testar o novo curativo em pacientes. A ideia é fazer um curativo bom, barato e eficaz. “Essa é a proposta da pesquisa, que de fato a gente consiga unir todas essas características para produzir um curativo cutâneo mais eficiente e com custo menor”, disse Corrêa.

Aplicação nos hospitais

O produto pode ajudar a baratear o procedimento feito em hospitais como a Santa Casa de São Carlos. De acordo com a coordenadora do curso técnico de enfermagem, Chris Tibes, um dos desafios hoje é driblar o alto custo dos curativos. “Nós temos tecnologias que conseguem fazer um curativo que dure por mais tempo, mas que são muito caros. Ou a gente pode se beneficiar de algumas coberturas mais baratas, mas que requer uma troca com uma com a maior frequência, às vezes até diária, e que aumenta o custo em relação a mão de obra para essa troca”, explicou.

Em geral, um curativo básico é feito com uma fita transparente, uma substância líquida como gel cicatrizante e gaze. Para a enfermeira, o novo curativo a base de açafrão é a esperança de um tratamento mais eficaz. “Ele tem propriedades que conseguem, muitas vezes, durar até dez dias, o que vai ser menos traumático para o paciente por questão de não necessitada a troca diária e também vai agregar menos necessidade de recursos humanos para fazer a troca tanto no ambiente hospitalar quanto para os pacientes que estão sendo cuidados em casa pela família e acelerar a cicatrização”, disse.

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ÁGIL DPVAT