Das 32 câmeras no Lago, apenas 8 estão funcionando

Uma das câmeras com problema fica no playground e não captou imagens de vândalos que destruíram estátua da Branca de Neve e os Sete Anões, na semana passada

Das 32 câmeras de monitoramento instaladas em julho de 2014 pela administração do ex-prefeito Nelson Brambilla (PT) no Parque Municipal Fábio da Silva Prado (Lago), apenas oito funcionam. A informação é do secretário de Segurança Pública e Defesa Civil, Moisés Furlan, que também confirma a retirada de duas câmeras e que foram reaproveitadas na Base Móvel da Guarda Municipal.

A retirada das câmeras do Lago foi questionada por munícipes depois que as estátuas da Branca de Neve e os Sete Anões, que ficavam no playground, foram destruídas por vândalos – ainda não identificados. Em tempo: as câmeras começaram a operar em 2014, quando a revitalização do lago foi inaugurada.

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O vandalismo aconteceu no fim de semana de 22 de julho e chamou atenção a presença de uma câmera atrás do local onde as estátuas ficavam. Depois, relatos de munícipes indicavam que câmeras não estariam funcionando e outras até retiradas pela atual gestão Pedrinho Eliseu (PSDB).

No início da semana nossa reportagem conversou com o secretário de Segurança Pública que explicou o motivo da retirada. Na mesma entrevista ele disse que dentre todas as câmeras instaladas em 2014 sendo 32, conforme apuração que fizemos, apenas oito funcionam e precariamente.

“Duas câmeras que não estavam funcionando no Lago foram retiradas e reaproveitadas na Base Móvel da GM e o teste inicial foi o Festival Café & Chocolate, realizado na Praça Barão de Araras”, disse.

Ele explica que o objetivo do reaproveitamento dos aparelhos na Base Móvel permitirá que mais locais sejam fiscalizados. “Além do Lago, a Base fica na Praça Barão e outros pontos públicos”, emenda.

Câmeras não contam com servidor que armazena imagens

A principal explicação para o não funcionamento das câmeras no Lago se deve à falta de manutenção, ao tempo de uso, e ausência de um servidor para armazenar as imagens captadas. “Para que cada câmera funcione é preciso ter um funcionário para monitorar e hoje existe apenas um. O sistema de revezamento do funcionário é ideal, além de um servidor “parrudo” para armazenas todas as imagens captadas, o que não existe”, detalha.

Na lista de problemas consta ainda a ausência de um aparelho now break, que permite manutenção do sistema quando este sofre com queda de energia, e uma empresa especializada em manutenção dos aparelhos.

“Queda de energia é recorrente no Lago e, quando acontece, o sistema precisa ser reconfigurado. No caso do vandalismo existe uma câmera na área (atrás de onde ficavam as estátuas), mas não armazena imagens e está danificada. Sem manutenção, a câmera não funciona”, afirma.

Questionado se a Prefeitura conta com profissionais da área para manutenção das câmeras, Furlan disse que antes eram feitas pela equipe do CPD (Centro de Processamento de Dados). “A equipe não tem conhecimento e nem tempo, fora que a manutenção das câmeras não é atribuição deles. É preciso contratar uma empresa para o serviço”, explica.

Centro de monitoramento está em fase de implantação

Conforme publicado em reportagem no mês de abril deste ano, a atual gestão conta com projeto para ampliar o monitoramento com câmeras e a unificação da central para receber os dados.

Além do Lago, a Estação Rodoviária Padre João Modesti, Terminal Urbano Prefeito Milton Severino e Praça Jorge Assumpção, zona leste, contam com câmeras e central de monitoramento. “É inviável ter uma central em cada ponto e a tecnologia dos aparelhos deixa a desejar. No caso da Jorge Assumpção as câmeras tem qualidade horrível. O suspeito comete o delito e não é possível identificar sua fisionomia ou outro traço para identificação”, cita como exemplo.

O projeto atual, lançado oficialmente na última sexta-feira (28) no Teatro Estadual Maestro Francisco Paulo Russo e chamado de “Araras Virtual”, contempla diversos serviços tecnológicos sendo um deles a implantação da central de monitoramento.

Ela está em processo de implantação em uma sala do Casarão da Cultural, Praça Monsenhor Quércia (Calçadão). Vai contar com 15 monitores de 47 polegadas, computadores e aparelhos eletrônicos de última geração, além do sistema de vídeo wall – que une imagens em apenas um grande monitor.

O investimento inicial previsto é de R$ 400 mil e inclui compra de cabos específicos, fios e instalação de todo o sistema. “Parte de servidor que está em processo de compra vai ter contratação de uma equipe para manutenção. É preciso ter em mente a necessidade de implantar um sistema que realmente funcione”, finaliza.

Ex-secretário de Segurança se posiciona sobre sistema

Como as câmeras foram instaladas em 2014, no período que a Secretaria de Segurança tinha no comando o ex-secretário João Beraldo, Tribuna abriu espaço para manifestação do ex-secretário.

Pelo telefone, disse que até o fim do ano passado “todas as câmeras funcionavam em sua totalidade, e uma ou outra apresentavam problema, como em qualquer sistema”. Beraldo falou que o sistema implantado pela antiga gestão “permitia a gravação das imagens, tanto que o funcionário que ficava na central que recebe as imagens acionava as forças de segurança em ocorrências”.

Por fim, disse o seguinte: “As imagens que eram gravadas elucidaram ocorrências policiais registradas no local e o sistema de gravação ainda funcionava até o fim de 2016”.

Fonte: Tiago Penteado – Tribuna do Povo