Dois homens são presos por venderem laudos falsos para vacina contra Covid-19 em Campinas, SP

A investigação começou após uma denúncia encaminhada por um telespectador da EPTV.

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do estado) informou nesta terça-feira que abriu procedimento interno para investigar a venda de laudos médicos falsos usados para furar fila da vacinação de covid-19 em Campinas (SP). 

Após operação na manhã desta terça-feira (6), duas pessoas foram presas suspeitas de vender os documentos para moradores tomarem vacinas alegando doenças prévias (comorbidades).

Um dos suspeitos atuava na Rua 13 de Maio quando foi preso em flagrante. Os laudos eram vendidos por valores entre R$ 140 a R$ 280. O caso foi revelado pela EPTV, que chegou a conseguiu negociar a compra de um dos documentos.

“Isso deve ser reprimido e combatido. Existe uma escala de prioridades, por doença, por idade, e quem não respeita isso e usa desses artifícios ele está prejudicando alguém, está tirando o lugar de alguém que pode morrer por isso. Tirou o lugar de alguém que poderia ter sido vacinado. E tem o aspecto penal”, disse o representante do Cremesp Angelo Vattimo.

Ele afirmou ainda que Conselho tem realizado um mapeamento em São Paulo para entender o aumento na emissão de laudos por profissionais. Até o momento, 100 pessoas são investigadas.

EM CAMPINAS

A investigação começou após uma denúncia encaminhada por um telespectador da EPTV. A equipe confirmou uma negociação dos suspeitos com um suposto comprador. Em mensagens, um dos homens fazia a proposta de compra de laudo, e citava que várias pessoas já tinham comprado e usado o documento. O encontro acontecia presencialmente no Centro ou em local a combinar.

Após esse primeiro contato, a denúncia foi entregue pela EPTV à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Campinas. O documento falso, as conversas com os vendedores e os vídeos das negociações foram analisados pela corporação, e um boletim de ocorrência foi registrado.

Durante a investigação, a Polícia Civil fez uma falsa negociação com os criminosos para efetuar as prisões em flagrante na manhã de hoje. Os encontros foram marcados no Centro e em shoppings da cidade hoje. Um dos detidos, no Centro, estava na 13 de Maio e vestia um colete de “compra de ouro”.

Um terceiro suspeito também foi detido, mas ouvido e liberado. Já a dupla que foi mantida presa deve responder por falsidade documental e falsidade ideológica. 

PREFEITURA E ESTADO

A secretaria de Saúde orientou que a vítima da falsificação registre um boletim de ocorrência para se resguardar enquanto profissional. Em relação aos demais questionamentos informa que a receita não fica retida no momento da vacina, não sendo possível analisar possíveis falsificações.

Além disso, o departamento jurídico da Administração também irá abrir processo de investigação para apurar a denúncia e tomar as devidas providências.

Já a secretaria Estadual de Saúde disse que “já foram fornecidos ao Cremesp os CRMs dos profissionais médicos que emitiram os atestados, cabendo ao Conselho dar andamento aos processos ético-disciplinares”.

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ÁGIL DPVAT