Donos de Onix Plus incendiados ganham Cruze R$ 50.000 mais caro

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Sedã médio foi entregue cerca de um mês após os carros de dois proprietários do Nordeste pegarem fogo, mas negociação foi feita por concessionários locais.

Os dois casos de incêndio do Chevrolet Onix Plus no Piauí e no Maranhão resultaram em uma série de ações por parte da General Motors. A informação foi divulgada pela QUATRO RODAS.

Antes mesmo de anunciar causa e solução para o fogo, a fabricante iniciou uma campanha de recolhimento de todas as unidades que estavam nas ruas. Depois, com a atualização do software ainda em desenvolvimento, convocou um recall para 19.050 unidades das versões hatch e sedã. Desde então, não houve novos relatos de Onix incendiados.

O caso também teve um teve um final feliz para os proprietários dos carros que pegaram fogo. Os dois proprietários, residentes em Teresina (PI), tiveram seus Onix Plus com motor 1.0 turbo substituídos pelo novo Cruze Premier 1.4 Turbo, cujo preço público sugerido é de R$ 122.890.

A diferença de preços entre os dois carros chega a R$ 49.890 no caso de um professor universitário de Teresina. Ele conseguiu apagar com um extintor o fogo que começou no cofre do seu Onix Plus LTZ 1.0 turbo automático.

Na época, pagou R$ 73.000 pelo carro. Com a diferença de preço para o Cruze é possível comprar um Onix 1.0 aspirado (R$ 49.690) e ainda sobra R$ 200 para encher o tanque.

O Cruze poderia ser entregue entre 10 e 15 dias depois do incêndio, mas a concessionária Canadá havia oferecido o Cruze LTZ 2019/2019. Mas o proprietário insistiu em uma unidade 2019/2020, como seu Onix Plus. A revenda concordou e entregou o Cruze 2020 no início de dezembro, assim que o carro chegou.

O Chevrolet Cruze havia passado por reestilização semanas antes do lançamento do Onix Plus. Além do novo visual, incorporou rede Wi-Fi a bordo, assim como o sedã compacto. De acordo com o proprietário, todos os trâmites e toda a negociação foram feitos diretamente com a concessionária Canadá, que por sua vez seria ressarcida pela fabricante.

“A GM não respondeu nenhuma das minhas tentativas de contato via telefone, e-mail ou Twitter”, relata. Contatada por QUATRO RODAS para comentar a troca dos automóveis, a fabricante não respondeu até a publicação desta reportagem.

Também tentamos falar com Cleiton James, dono do outro Onix Plus incendiado, e que também teria ganhado um Cruze no lugar, mas ele não aceitou comentar o caso.

Troca, mas só com vistoria

Se você é dono de um Onix, tenha calma e não vá pensando em botar fogo em seu carro achando que receberá um Cruze no lugar.

O professor universitário conta que sua unidade incendiada foi recolhida pela concessionária e, poucos dias depois, já havia sido enviado para São Paulo, onde seria analisado pela GM. Seu Cruze só foi liberado após esse trâmite.

Na época dos incidentes, engenheiros da fabricante foram enviados imediatamente ao Piauí para investigar os casos, o que incluiu novos testes de rodagem com o Onix por lá. A causa divulgada pela GM foi um defeito na calibração do software do motor.

Em situações de baixa rotação e ambientes de altas temperaturas, pressão atmosférica específica, condições áridas e com gasolina, o propulsor sofria pré-ignição, com consequente aumento de pressão dentro do motor e quebra de componentes como bielas, pistões e bloco.

Tal fenômeno culminava num vazamento de óleo, que, em contato com componentes quentes, causava o fogo. Na época, Maranhão e Piauí enfrentavam dias secos com temperaturas próximas dos 40°C.

O recall, iniciado em 18 de novembro, atualizaria a calibração do módulo de controle do motor. Desde então, o novo Chevrolet Onix teve outros dois recalls brancos anunciados. Um por vazamento de combustível no tanque e outro por falha em iluminação do câmbio.