Eleito senador, Kajuru quer frente para abrir ‘caixa preta’ da CBF

Vencedor da eleição em Goiás, ele espera contar com apoio do presidente eleito Jair Bolsonaro

Eleito senador por Goiás com cerca de 1,5 milhão de votos, o radialista Jorge Kajuru, 57, quer usar o seu mandato para renovar a administração esportiva brasileira.

Crítico dos cartolas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COB (Comitê Olímpico do Brasil), ele é um dos articuladores de movimento que pretende mudar a estrutura das entidades esportivas nacionais, segundo ele, “um segmento corrompido e intocável até agora”.

Nesta terça-feira (13), o jornalista vai se encontrar com o senador Romário (Podemos-RJ) e a senadora eleita Leila do Vôlei (PSB-DF) para definir os primeiros passos da ofensiva. No dia seguinte, ele se reúne com Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e outros aliados para tratar do assunto.

Romário e Rodrigues foram os integrantes mais ativos da CPI do Futebol, que investigou as contas da CBF após a prisão de José Maria Marin, ex-presidente da entidade, por corrupção na Suíça em 2015.

“Não quero ser líder, mas quero procurar gente de bem com a coragem, que não vai recuar lá na frente, para abrir a caixa preta da CBF, do COB e das federações”, afirmou o senador eleito pelo PRP.
Kajuru acredita que o relatório “paralelo” da CPI, assinado por Romário e Rodrigues, servirá de base para o início da “faxina” nas entidades.

No trabalho de cerca de mil páginas, os três ex-comandantes da CBF (Ricardo Teixeira, Marco Polo Del Nero e Marin) foram acusados de terem cometidos seis crimes: lavagem de dinheiro, estelionato, crime contra a ordem tributária, crime contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa e crime eleitoral.

Eles já haviam sido denunciados em 2015 pelo FBI por fazer parte de um esquema de recebimento de propina na venda de direitos de competições no Brasil e no exterior.

“Grande parte do trabalho já foi feito aqui e lá fora. Só para dar um exemplo. O Ricardo Teixeira não pode ficar livre neste país, que já prendeu tanto corrupto. O Eduardo Cunha, o Sérgio Cabral estão na cadeia e ele continua por aqui”, afirmou Kajuru.

“Além do nosso esforço, tem aí o novo governo. Acredito que o presidente eleito [Jair Bolsonaro] também vai querer distância da cartolagem que está aí e vai gostar deste desafio”, completou Kajuru.

Na época da CPI, os aliados da CBF boicotaram o trabalho de Romário e Randolfe e conseguiram aprovar o relatório oficial do senador Romero Jucá (MDB-RR), que não pedia nenhum indiciamento. O relatório foi chamado de “chapa branca” por Romário.

Apesar de usar o relatório paralelo da comissão como base, ele disse que vai investigar a CBF ainda mais a fundo.

Após realizar licitação para comercialização dos direitos TV do Nacional para o exterior e de publicidade estática a partir de 2019, a entidade trocou a vencedora sem realizar novo processo de concorrência. E assinou com uma empresa que sequer existia durante o processo de disputa ou nas datas dos contratos assinados, que valem R$ 550 milhões – com comissão de R$ 55 milhões à entidade.. Folhapress/Ricardo Borges/Folhapress

O senador eleito citou como “suspeita” a licitação feita pela confederação para vender os direitos de transmissão internacionais e de exploração das placas de publicidade do Brasileiro, vencida pela BR Foot Mídia. Sem experiência na área, a empresa assinou contrato para pagar R$ 550 milhões pelas propriedades.

Em seguida, o fundo de investimentos Futbol Holdings comprou a empresa brasileira. O fundo fica localizado em um paraíso fiscal nos EUA e não informou os seus sócios. O negócio foi revelado pela Folha.

“Que transparência é essa?”, indagou. “Deve ter gente conhecida como sócia. Isso cheira a quadrilha. Parece que estão querendo criar uma nova Traffic [empresa acusada de pagar propina aos cartolas do Brasil e do exterior]. Quero me aprofundar nisso”, disse.