Empregada doméstica lança primeiro livro com histórias reais

Após décadas de serviços prestados em casas de famílias, uma empregada doméstica se transformou em escritora, no Rio de Janeiro.

Natural de Nova Iguaçu (RJ), a empregada doméstica Gil Santos se tornou escritora após décadas de serviços prestados em casas de famílias. Ela teve a ideia de contar suas inúmeras histórias acumuladas ao longo dos anos depois de assistir ao filme “Histórias Cruzadas“. A autora compilou todo o seu acervo afetivo no livro “Minha Vida, Minhas Histórias”.

Gil nasceu em Arraial do Cabo em uma família humilde, mas apesar das poucas condições materiais que tinha, nunca passou fome. Mesmo com as dificuldades, cresceu com muito carinho. Entre as melhores lembranças da infância está a relação com o pai, que gostava de contar histórias e sempre reservava um tempo para dar essa atenção à filha.

O desejo de enveredar pela pedagogia teve que esperar. Ainda jovem, Gil Santos começou a se envolver com trabalhos domésticos, aos 16 anos, para ajudar a suprir as necessidades financeiras da casa.

Nas casas de outras famílias, Gil iniciava os trabalhos como babá porque sempre gostou de crianças. Com o passar das semanas, acabava assumindo outros serviços da casa.

Após assistir ao filme “Histórias Cruzadas”, lançado no Brasil em 2012, que conta histórias de empregadas domésticas, veio a ideia de contar suas próprias experiências. A escrita das histórias começou como exercício terapêutico.

O livro aborda passagens de Gil enquanto empregada doméstica. Na obra, ela fala sobre a infância e suas experiências. As histórias detalham momentos difíceis, mas também relembra coisas boas.

Segundo a autora, a intenção não é tecer críticas a nenhum ex-patrão. O trabalho expõe uma realidade compartilhada por boa parte das profissionais na relação patrão versus empregado. Ela cita a permanência do preconceito da profissão e a importância da PEC das Empregadas Domésticas, de 2015.

Para produzir sua obra, Gil Santos se inspirou em outros escritores. Maria Carolina de Jesus, autora do livro “Diário de uma Favelada”, e o teólogo Rubem Alves serviram de exemplo. Ela ainda continua trabalhando como empregada doméstica, embora seja apenas uma vez por semana. Nas horas vagas, se dedica a trabalhos voluntários.

Fonte: UNIVERSA UOL

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