Encontro técnico aborda atropelamento de animais em rodovias de São Paulo

Reunião teve a apresentação de dados dos primeiros relatórios obrigatórios enviados pelas concessionárias para a Cetesb.

Os atropelamentos de animais em rodovias de São Paulo foram objeto do encontro técnico realizado nesta terça-feira (3), na Escola Superior da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), na capital. A ação foi aberta oficialmente pela diretora-presidente da Cetesb, Patrícia Iglecias, ao lado do diretor de Avaliação de Impacto Ambiental, Domênico Tremaroli.

Na ocasião, o gestor ressaltou a preocupação do órgão ambiental em exigir medidas de controle e proteção para preservar a fauna no licenciamento. Segundo Patrícia Iglecias, diversos estudos já apontaram que os atropelamentos têm impacto expressivo na conservação da vida animal, além de comprometerem a segurança operacional e gerarem custos para os usuários e administradores rodoviários.

“Dentro do licenciamento de obras e novas rodovias, esse é um tema exaustivamente analisado com exigências de passagens de fauna associadas a cercas direcionadoras, adequação de pontes e placas sinalizadoras, na tentativa de mitigar esses acidentes”, salienta Patrícia Iglecias.

Relatórios

No evento, foram apresentados os dados dos primeiros relatórios obrigatórios enviados pelas concessionárias à companhia, relativos ao período de dezembro de 2018 a junho de 2019. A entrega dos dados semestralmente está prevista na por meio de autorização da diretoria da Cetesb.

“Nesse tema, há um trabalho conjunto com quem está operando, que, no caso, são as concessionárias, e com intenso envolvimento e disposição dos nossos técnicos que lidam com a avaliação dos impactos ambientais. Esse encontro não deixa de ser um ápice do trabalho desenvolvido durante todo o ano pelos profissionais envolvidos com o assunto”, acrescenta a diretor-presidente da Cetesb.

Patrícia Iglecias também lembrou que esse envolvimento se insere nos propósitos do programa “Cetesb de Portas Abertas”, que busca receber, ouvir e orientar os setores produtivos em relação ao licenciamento ambiental.

O diretor de Avaliação de Impacto Ambiental, Domênico Tremaroli, destacou que a inserção dessa pauta, com a coleta de todas as informações, contribui para o aprimoramento do licenciamento. Nos seis meses de abrangência dos acompanhamentos, por volta de 19 mil animais passaram pela faixa de domínio nas estradas. Desses, 9 mil foram afugentados, 8 mil atropelados e 2,5 mil não chegaram a ser identificados. Dos animais atropelados, 3,6 mil eram cachorros domésticos.

Trechos críticos

Os animais domésticos, aliás, são a maioria, enquanto os exemplares silvestres correspondem a cerca de 25% do total, liderados pelas capivaras. Espécies ameaçadas de extinção também figuram na lista.

Foi possível esboçar os trechos mais críticos, onde ocorrem mais atropelamentos. Muitos trechos correspondem a rodovias localizadas ou que passam por áreas urbanas. Quanto à destinação das carcaças, 80% foram enterrados e outros, destinados a aterros sanitários.

“Verificamos a grande importância e o instrumento que a companhia tem para a gestão da fauna no Estado, tanto a silvestre como a doméstica”, enfatiza Renata Mendonça, assessora da Diretoria de Avaliação de Impacto Ambiental da Cetesb.

Segundo ela, os dados já estão sendo considerados em programas de controle de população de espécies invasoras (como javalis), no estudo de distribuição das espécies, no zoneamento econômico e ecológico do Estado, assim como em programas de controle de doenças, tais como febre amarela, febre maculosa e doença de chagas.

Os levantamentos da Cetesb abrangerão, de forma exclusiva e inédita, dados únicos relativos aos mais de 30 mil quilômetros de rodovias federais, estaduais e municipais no território de São Paulo.

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