Entenda a importância e o passo a passo da nova etapa do Projeto S

Um estudo dentro do estudo vai ampliar os conhecimentos da ciência sobre a imunidade gerada pelas vacinas no combate à Covid-19.

Um estudo dentro do estudo, que vai ampliar os conhecimentos da ciência sobre a imunidade gerada pelas vacinas no combate à Covid-19. Assim pode ser entendida a nova etapa do Projeto S, ensaio clínico que investigou a efetividade da vacinação no controle da pandemia de Covid-19 e na transmissão do SARS-CoV-2 no município paulista de Serrana. A pesquisa, que foi iniciada em 24/7 com a coleta de amostras de sangue dos voluntários, vai investigar a imunidade de longo prazo gerada pela CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac. Ela se estenderá até meados do ano que vem com ciclos trimestrais em outubro de 2021, janeiro e abril de 2022.

É um longo processo, mas necessário, já que ainda não há certezas sobre a imunidade propiciada pelas vacinas no longo prazo. “A gente não tem consenso na literatura de como funciona o coronavírus, de quanto dura, se terá uma vacina todo ano, se não vai. Por isso essa pesquisa é importante”, salienta o médico do Hospital Estadual de Serrana e investigador principal do novo ciclo do Projeto S, Gustavo Volpe.

Cada ciclo vai durar quatro dias e envolverá a coleta de sangue dos voluntários. Ao analisar as amostras, o Butantan poderá observar a evolução da resposta imune, especialmente na população idosa. O primeiro ciclo da pesquisa, iniciado agora, acontece três meses após a vacinação da população de Serrana – a imunização coletiva da primeira etapa do Projeto S mostrou que a CoronaVac tem efetividade de 80% contra casos sintomáticos, 86% contra internações e 95% contra mortes por Covid-19.

“A gente relaciona imunidade com produção de anticorpo, mas a imunidade celular tem um papel importante na resposta ao coronavírus. Essa avaliação é bastante difícil de medir. É preciso ver a atividade celular, ou seja, medir a atividade metabólica, testar a expressão de alguns tipos de receptores nas células. Tem várias formas. Vai ser uma avaliação bem completa”, revela Volpe, referindo-se à chamada “memória celular”.

Etapas da pesquisa

As amostras coletadas são enviadas para o setor de virologia do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, processadas e testadas. Para avaliar a memória gerada pela vacina, uma das análises envolve colocar a amostra em contato com o SARS-CoV-2 e ver se o vírus consegue se multiplicar. Os testes serão feitos com diferentes variantes, como a alfa (B.1.1.7, do Reino Unido), gama (P.1, amazônica) e delta (B.1.617.2, indiana). Além disso, as amostras positivas são sequenciadas para saber quais variantes circulam na cidade e o comportamento da vacina frente a elas.

Três meses depois, começa tudo de novo. Assim, é possível seguir a evolução do organismo no combate à doença. “Essa etapa do projeto avalia quantas pessoas soroconverteram a vacina [ou seja, desenvolveram anticorpos para se defender contra a infecção] no estado real. A gente tem estudos controlados de fase 1 e 2 da CoronaVac que demonstraram uma alta taxa de soroconversão”, explica Volpe. “Vamos estudar a questão da imunidade celular na população, a história da evolução dos anticorpos. Desta forma ,vamos ver lá na frente como foi a trajetória dos anticorpos e atividades celulares”, completa o médico.

A nova fase do Projeto S será acompanhada pelo comitê de ética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

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ÁGIL DPVAT