Estudo da USP indica que Sars-Cov-2 pode matar células de defesa do paciente e deixar sequelas no sistema imunológico

Pesquisadores analisaram amostras sanguíneas de pacientes saudáveis após incubação com o novo coronavírus. 

Um estudo conduzido pela USP de Ribeirão Preto (SP) indica que o novo coronavírus pode infectar e matar diferentes tipos de linfócitos, que são as células de defesa do organismo presentes no sangue.

O artigo foi publicado como prévia (pré-publicação) em uma plataforma internacional de compartilhamento de dados científicos e está em fase de revisão pela comunidade científica, mas apresenta sinais de que a infecção pela Sars-CoV-2 tem potencial de deixar sequelas no sistema imunológico do paciente.

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Na análise, os pesquisadores avaliaram amostras sanguíneas de cinco voluntários sem a Covid-19 para testar a hipótese de que o novo coronavírus seria capaz de prejudicar a defesa do organismo.

Essa possibilidade foi levantada após a identificação de linfopenia, ou seja, queda acentuada de linfócitos, em pacientes hospitalizados em estado grave com o novo coronavírus.

A concentração sanguínea dos voluntários sadios foi incubada com o Sars-Cov-2 durante dois dias. Após análises com anticorpos, os cientistas comprovaram que o processo de infecção havia ocorrido.

Por meio do RT-PCR, mesmo teste molecular feito para diagnosticar a Covid-19 em pacientes, foi possível identificar um aumento de até 100 vezes na quantidade do vírus no sangue. Segundo a pesquisa, o resultado indica que houve infecção e replicação no interior do sistema imunológico das amostras.

Linfócito T, célula do sistema imunológico — Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases