Falta de Imunoglobulina Humana no SUS preocupa pacientes em Araras, SP

Atualmente há cerca de 3 mil pacientes cadastrados para receber regularmente a droga, que também é aplicada em hospitais para repor anticorpos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) tem baixos estoques de imunoglobulina humana, medicamento que beneficia pacientes de diversas doenças, também indicado em casos de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, associada à covid-19.

Desde 2019, a distribuição da droga está prejudicada, pois valores pagos em compras pelo ministério e a segurança do produto escolhido foram contestados por empresas, Tribunal de Contas da União (TCU), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na Justiça.

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A imunoglobulina usada no SUS é comprada pelo governo federal e distribuída aos Estados. Atualmente há cerca de 3 mil pacientes cadastrados para receber regularmente a droga, que também é aplicada em hospitais para repor anticorpos.

Em 6 de agosto, o ministério afirmou que monitora casos de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica em crianças e adolescentes de 7 meses a 16 anos. “O objetivo é identificar se a síndrome pode estar relacionada à covid-19”, afirmou a pasta.

Coordenador da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Gesmar Rodrigues Silva afirma que o cenário de desabastecimento é “preocupante”. Ele explica que a imunoglobulina beneficia desde pacientes com doenças crônicas até aqueles que recebem a droga para tratar uma infecção aguda. “Alguns pacientes da covid-19 usam como medida salvadora”, diz ele.

A doença observada em crianças, e que pode ter relação com a covid-19, tem causado miocardiopatia, entre outros sintomas. “É uma inflamação no coração. A criança acaba precisando do suporte de UTI. E o que controla a inflamação é a imunoglobulina”, afirma.

Maria Das Dores, moradora de Araras (SP), é mãe do Pedro, que tem necessidades especiais e precisa desse remédio. Ela usou suas redes sociais para relatar sua preocupação, pois sem esse medicamento ele corre risco de morte conforme o relatório abaixo.

Desabastecimento

O Ministério da Saúde não informa os estoques atuais de imunoglobulina. Segundo gestores do SUS, a falta do medicamento se agravou desde abril, quando técnicos do governo federal apontavam “situação crítica” e projetavam risco à segurança nacional.

A Secretaria de Saúde de São Paulo informou que tem estoque “residual” e que o ministério fez a última entrega em julho, “com apenas 9,5% do quantitativo solicitado para aquele período”. O governo paulista diz que monitora os estoques e pode remanejar frascos entre as farmácias públicas do Estado, se preciso. “Os protocolos do SUS preveem o uso do medicamento para tratamento de diversas patologias, como anemia, aplasia, imunodeficiência, púrpura, imunossupressão, entre outros.”

Juliana Dionisio, também moradora de Araras, também usou suas redes sociais para pedir ajuda da população para conseguir essa medicação, sem esse remédio as crianças e sua filha estão expostas a pegar qualquer vírus e doença.

Compra frustrada

A investida mais recente do governo para abastecer o SUS com imunoglobulina fracassou no dia 17 de agosto. Nenhuma empresa que detém o registro da droga no Brasil fez ofertas em licitação de 575 mil unidades do medicamento. O negócio poderia chegar a R$ 575,38 milhões e garantiria o abastecimento do SUS até o fim do ano.

Apenas uma farmacêutica entrou nesta disputa, oferecendo a venda de 86,3 mil frascos por R$ 1.888 por unidade, cerca do dobro do valor aceito pelo governo. A proposta foi rejeitada.

A disputa para importar a imunoglobulina se estende desde o fim de 2018, quando um contrato de R$ 280 milhões teve o preço questionado pelo TCU. O Ministério da Saúde argumenta que, após recomendação do tribunal, começou a busca no exterior de modelos sem registro da Anvisa, porque não encontrou empresa no País que apresentasse os preços regulares.

O governo Jair Bolsonaro chegou a tentar a compra em uma empresa da Ucrânia, que não cumpria exigências mínimas da Anvisa. A agência negou a importação do ministério e, nos bastidores, deixou claro à época que o produto poderia ser ineficaz e perigoso aos pacientes.

Pressionada pelo governo, a Anvisa liberou em março a importação de uma compra do ministério com empresas da China e Coreia do Sul, que não possuem o produto registrado no Brasil. Cerca de cinco meses depois, as entregas não se concluíram.

Para Gesmar, da Asbai, a droga, feita a partir do plasma humano, é estratégica e o País deveria pensar em formas de produzi-la. Ele aponta que dificilmente o governo conseguirá comprar o medicamento pelo preço fixado pelo governo, que seria inferior ao encontrado no mercado internacional. Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou. 

Sobre a imunoglobulina

A imunoglobulina humana, é usada para tratar várias doenças e está incorporada ao sistema único de saúde. Dentre estas doenças podemos destacar as Imunodeficiências Primárias, um conjunto de 300 doenças, que se caracterizam assim, por apresentar deficiência em algum setor do sistema imunológico. Os sintomas surgem por meio de infecções comuns como otites, pneumonia, sinusites, entre outras. Os processos infecciosos podem ser graves ou difíceis de tratar e/ou muito frequentes e/ou por agentes infecciosos não comuns. O tratamento das IDPs envolve diferentes recursos terapêuticos, dentre os quais a reposição de imunoglobulina humana e outros imunobiológicos, o uso de antibióticos preventivos e o transplante de células hematopoiéticas (medula óssea ou cordão umbilical)4. Embora sem cura, a reposição com imunoglobulina fará com que os processos infecciosos diminuam quanto a sua frequência e
gravidade.

O medicamento também é utilizado na Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI), uma doença rara, utoimune e grave. Da família das Púrpuras e outras afecções hemorrágicas, de CID 10 – Dados retirados de nota oficial no site da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia – ASBAI, com o título “Imunodefiências no Teste do Pezinho é prioritário para diagnóstico e tratamento adequados”. D69.3, apresenta um quadro hemorrágico grave onde a utilização da Imunoglobulina humana (IVIg) se dá como importância de real grandeza para tirar o paciente do risco iminente à morte. Como podem observar, AS DOENÇAS SÃO GRAVES. O uso de imunoglobulina de baixa qualidade pode causar a morte nesses pacientes ou, agravar ainda mais o estado de saúde delas. O que é inaceitável!

A infusão da imunoglobulina deve ser feita em ambiente hospitalar com equipe de médica e de enfermagem acompanhando, posto que os efeitos adversos experimentados por um paciente podem ser graves, como choque anafilático e meningite asséptica. Tudo a depender de como o organismo do paciente reagirá ao medicamento, que por sua vez, devido ao modo como é fabricado pode apresentar efeitos adversos de maior intensidade. Ora, a saúde dos pacientes deveria ser protegida pelo Estado e não exposta a maior risco!!!!! Aplicar medicamento de baixa qualidade poderá trazer prejuízos inestimáveis a um adulto, criança ou idoso, inclusive a sua morte!

Os pacientes merecem imunoglobulina livre de contaminação e de acordo com as exigências da ANVISA!