Família pede exumação do corpo de jovem que estava com suspeita de Covid-19 em Rio Claro, SP

Parentes questionam causa da morte e confusão em atendimento. Secretário de Negócios Jurídicos diz que Bruno Bertanha, de 22 anos, morreu de pneumonia agravada pelo tabagismo.

Uma família de Rio Claro (SP) quer a exumação do corpo do jovem de 22 anos que estava com suspeita de Covid-19. Os parentes desconfiam da causa da morte e reclamam do atendimento da rede municipal de Saúde. A informação foi divulgada pela EPTV 1.

O trabalhador rural Bruno Bertanha deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cervezão em 27 de julho com febre e confusão mental e, após dois dias, não resistiu e morreu.

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Segundo o boletim de ocorrência registrado pela família, o paciente permaneceu isolado com suspeita da Covid-19. Os parentes não puderam ver Bertanha após a morte pois o caixão estava lacrado.

Bruno Bertanha, de 22 anos, foi enterrado com suspeita de Covid-19 e família desconfia da causa da morte — Foto: Reprodução EPTV

Incerteza

De acordo com a Certidão de Óbito, a causa da morte foi insuficiência respiratória a esclarecer, pneumonia não especificada e consta a informação de que aguardava o resultado do exame Swab PCR, usado para detectar o novo coronavírus.

O laudo do Instituto Adolfo Lutz não detectou a presença do vírusna coleta realizada em 27 de julho e a família quer saber porque foi proibida de ver o corpo de Bretanha e também porque ainda não recebeu os pertences da vítima.

“Não deixaram a gente ver o corpo, não teve reconhecimento de corpo, não deixaram velar. Conversei com a moça do velório, ela tinha até deixado, mas falou que iria conversar com o médico e ele falou que era [caixão] lacrado, que era Covid-19”, disse a tia do trabalhador rural, Tamires Regina Teixeira.

Certidão de óbito de jovem de 22 anos de Rio Claro não confirma causa da morte — Foto: Reprodução EPTV

Confusão no atendimento

Ainda de acordo com Tamires, o atendimento prestado pelo hospital foi confuso e chegou até receber uma ligação da unidade informando que o sobrinho seria transferido, mas depois retornaram dizendo que haviam confundido e a transferência seria de outro paciente.

“Por volta das 19h30 o hospital me ligou pedindo para eu assinar a transferência do Bruno para a Santa Casa, aí falei que eu ia, 5 minutos depois me ligaram falando que era engano, que era outro paciente que ia ser transferido e que o Bruno continuava lá no Hospital de Campanha. Quando foi 23h30 ligaram para a gente ir lá e veio a notícia que ele tinha vindo a óbito”, disse a tia.

Com tantas dúvidas relacionadas com a causa da morte, a família quer apenas ter certeza do que aconteceu com o jovem e pede a exumação do corpo.

“Eu quero ter certeza que é ele mesmo que está lá porque estou ficando maluca já, não aguento mais, só quero ter certeza para ficar em paz”, disse a avó da vítima, Maria Lucinda Teixeira.

Família de Rio Claro pede a exumação do corpo de jovem enterrado com suspeita de Covid — Foto: Ely Venâncio/EPTV

O que diz a prefeitura

O secretário de Negócios Jurídicos de Rio Claro, Rogério Ragghiante, informou que Bertanha morreu de pneumonia agravada por problemas causados pelo tabagismo.

“Como havia uma suspeita de Covid-19, pelas normas sanitárias e Lei Federal, não há a possibilidade do reconhecimento, então foram cumpridas federais nesse sentido. Todos os documentos do prontuário foram entregues à família, todos documentos pertinentes, nenhuma falha foi registrada nesse sentido”, explicou Ragghiante.

Ainda de acordo com o secretário, não há motivo para exumação do corpo. “Só poderíamos realizar com ordem judicial, caso recebamos uma ordem judicial, será realizada.”

Ragghiante informou ainda que abrirá um inquérito administrativo para apurar onde foram parar as roupas e pertences do jovem e que os objetos deveriam ter sido entregues à família.

Secretário de Negócios Jurídicos de Rio Claro, Rogério Ragghiante, diz que não há motivo para exumação — Foto: Ely Venâncio/EPTV