Família pede ‘justiça’ pela morte de homem que viralizou na web por enterrar a mãe sozinho

José Ricardo teve corpo queimado em incêndio dentro da casa onde morava. Polícia acredita em latrocínio, já que pertences sumiram e ele havia recebido dinheiro em uma vaquinha virtual para tratar doença.

Por Vanessa Martins, G1 GO

Parentes de José Ricardo Fernandes Ribeiro, que morreu após ter o corpo queimado durante um incêndio em casa, pediram “que seja feita justiça” com os responsáveis pela morte dele. O homem, que tinha 44 anos, ficou conhecido nacionalmente há cerca de um ano, após publicar uma selfie mostrando que teve de velar e enterrar a mãe sozinho.

Os familiares de José explicaram que não querem ser identificados por medo de serem vítimas de algum crime. Eles foram pegos de surpresa e ficaram muito abalados com a notícia da morte. Para os parentes, foi uma “crueldade” a forma como José foi morto.

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Ao saberem da morte dele, os parentes, que moram no interior goiano, viajaram a Aparecida de Goiânia (GO), na Região Metropolitana da capital, para cuidar de velório e enterro do corpo.

Incêndio

A quitinete em que a vítima morava foi atingida pelas chamas na última sexta-feira (10). Dono do imóvel que José Ricardo alugava há cerca de oito meses, o comerciante Saulo Pereira, de 37 anos, explicou que alguns moradores relataram ter visto “visitas” na casa da vítima no dia do incêndio.

“O filho de três anos de uma vizinha que viu a fumaça primeiro. Ele avisou, e as pessoas se mobilizaram e chamaram os bombeiros. Tiveram que arrombar a porta para tirar ele de lá. Os bombeiros chegaram às 13h50 e levaram ele”, detalhou.

José Ricardo foi levado ao Hospital de Urgências Governador Otávio Laje de Siqueira (Hugol), em Goiânia, onde morreu menos de dois dias depois, na madrugada de domingo (12). Ele deixa um filho adolescente.

Corpo de Bombeiros socorre José Ricardo Fernandes Ribeiro, 44 anos, após ele ter parte do corpo queimado — Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros

Investigação

A Polícia Civil está investigando a morte de José Ricardo e informou que não vai se pronunciar sobre o caso por enquanto. O crime foi registrado como latrocínio, já que a vítima teve um aparelho de televisão, celular e carteira levados.

Também consta no boletim de ocorrências que a vítima recebera cerca de R$ 30 mil de uma vaquinha online feita para ajudá-lo com despesas médicas, já que tinha uma doença renal crônica e precisava fazer hemodiálise três vezes na semana.

Não foi divulgado o que de fato aconteceu com o dinheiro – se foi roubado ou se segue na conta da vítima, impedido de movimentação durante a investigação, por exemplo.

De acordo com Saulo, há sete quitinetes no imóvel e, para entrar no local, é preciso ter a chave ou que alguém de dentro abra o portão que dá acesso a todas as casas. O locatário disse que não há câmeras de segurança no imóvel.

José em vida

Dono do imóvel que José Ricardo alugava há cerca de oito meses, o comerciante Saulo Pereira, de 37 anos, disse que o inquilino era uma pessoa tranquila, não chamava muita atenção e que era mais conhecido nas redes sociais.

“O perfil dele foi apagado, mas qualquer coisa que ele postava tinha milhares de curtidas. […] Os mais próximos dele acho que eram os vizinhos mesmo. Era uma pessoa muito boa, muito honesta”, contou.

Velório da mãe

José Ricardo ficou conhecido em agosto de 2019, depois que, em um momento de revolta, publicou uma selfie com o corpo da mãe dizendo que ninguém além dele apareceu no velório ou enterro dela. A publicação teve mais de 300 mil curtidas em uma rede social.

A cena sensibilizou muitos internautas, e o homem ficou conhecido na internet. Em entrevista à época, ele contou que os parentes estavam espalhados por várias partes do estado e do Brasil, e que, mesmo sabendo da situação da mãe dele, não telefonaram ou visitaram.

Apesar de revoltado e chateado com toda a situação, ele afirmou que esperava que a história dele inspirasse os filhos a cuidarem dos pais.

Filho posta foto velando mãe sozinho — Foto: Reprodução/Facebook