Fisioterapeuta escolhe trabalhar em hospital após mãe ser internada com Covid-19

“A falta de ar que eu tive e vendo também a dificuldade de outras pessoas para respirar que me deu o start. Depois de passar pelo que eu passei, quis fazer o bem para as pessoas”, diz Letícia de Souza Sant’Anna, que também teve a doença.

Por Fabiana Assis, G1 São Carlos e Araraquara – Após toda a família ter Covid-19, a fisioterapeuta recém-formada Leticia de Souza Sant’Anna, de 23 anos, teve certeza de qual carreira queria seguir em sua profissão: o atendimento hospitalar.

A decisão veio quando percebeu o quanto os fisioterapeutas foram essenciais para a sobrevivência da sua mãe, que ficou internada por cinco dias na enfermaria de um hospital particular de Araraquara (SP) e precisou de suporte respiratório. “Eu decidi trabalhar no hospital porque me encantei com a área ainda na faculdade, antes mesmo dos estágios, mas depois da doença, entendi a necessidade da minha profissão e fiquei com mais vontade de colaborar para melhorar a saúde das pessoas”, diz Letícia.

Família infectada

Toda a família da fisioterapeuta foi infectada em janeiro. Ela foi a que menos foi afetada e teve que cuidar do pai em casa porque não tinha mais vaga nos hospitais, enquanto a mãe o irmão ficaram internados em um hospital particular.

Ela não pode acompanhar a mãe no hospital, por isso a ela contava tudo o que os fisioterapeutas faziam com ela. Agora, Letícia usa seus conhecimentos para ajudar nos exercícios que a mãe levou para casa e que, agora, faz sob a supervisão da filha para concluir a recuperação.

Letícia se formou de forma discreta, sem colação de grau ou aglomeração, em dezembro. Com quatro meses de formada, ela conseguiu o primeiro emprego, na Santa Casa de Araraquara. Está atuando na enfermaria, onde também atende pacientes com Covid-19 que saem da UTI. Também entrou na pós-graduação em fisioterapia hospitalar.

O fisioterapeuta tem sido essencial na recuperação dos pacientes com Covid-19 já que o tempo de internação de pacientes com a doença tem sido muito longo. “Eu vi gente andar depois de 30 dias, isso foi emocionante”, conta Letícia.

A Covid-19 jogou uma luz sobre a importância da atuação do fisioterapeuta dentro dos hospitais. Antes da doença, mal se falava neste profissional, mas com as dificuldades de respiração provocadas pela doença, o fisioterapeuta se tornou protagonista. “Nunca a profissão foi tão valorizada e ficou tão em evidência para as pessoas. Na UTI é o fisioterapeuta que faz o paciente respirar”.

Passar pela Covid-19 também ajudou a reduzir a resistência da família, que foi contra ela se cadastrar como voluntária na linha de frente quando ainda fazia estágio. “A falta de ar que eu tive com a Covid-19 e vendo também a dificuldade de outras pessoas para respirar que me deu o start. Depois de passar pelo que eu passei, quis fazer o bem para as pessoas”, afirma.

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