Garota morre após doença de Chagas ser confundida com dengue em SP

Thaynara, de 15 anos, começou a se sentir mal há cerca de 15 dias. Ela chegou a receber diagnóstico de suspeita de dengue em Praia Grande, litoral paulista.

Por G1 Santos

Uma adolescente de 15 anos morreu com suspeita de doença de Chagas em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo a família, Thaynara Beatriz Gomes foi levada ao hospital diversas vezes e recebeu diferentes diagnósticos antes de vir a óbito.

Conforme relatado pelo irmão, a estudante começou a se sentir mal há cerca de 15 dias. Logo em seguida, ela foi levada ao Hospital Irmã Dulce, onde recebeu atendimento. “Ela ficou indo e voltando do hospital vários dias”, conta o autônomo Diego Gomes, de 19 anos.

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Na unidade, a família relata que equipes médicas deram um diagnóstico de suspeita de dengue e, por isso, a maior parte do tratamento foi feito direcionado a este tipo de doença. Na última semana, foi realizado um exame que mostrou inchaço no coração e surgiu a suspeita da doença de Chagas.

“Nesta segunda-feira, minha mãe falou que ela sentiu muitas dores. Ela pediu que a médica desse uma medicação para a Thaynara se sentir melhor. Foram dados três medicamentos e minha mãe questionou o motivo. A mulher disse que era devido a doença de Chagas, mas eles ainda não tinham certeza se era isso que ela tinha. Depois de quatro horas que ela tomou o remédio, teve paradas cardíacas e não resistiu”, conta o irmão.

A família ainda relata que não foi orientada sobre a gratuidade para realização do velório e sepultamento da jovem. “Foi a maior correria. Tive que pagar porque não quiseram nos dar nada de graça. Sem pensar muito e sem tempo para corres atrás, muito abalados, pagamos mesmo. Minha mãe está muito mal, mas estamos tentando ser fortes”, acrescenta.

De acordo com o autônomo, o hospital não colocou no prontuário da irmã a causa da morte. “Depois que ela tomou os medicamentos que ela ficou pior. Antes ela estava conversando e rindo. Na quarta-feira, o corpo foi para o IML de Santos e eles reclamaram de não ter a causa do óbito. Depois que as médicas fizeram a autópsia, falaram que foi algo no estômago, por isso achamos que foi efeito da medicação”, relata.

Diego relata que registrou boletim de ocorrência na Delegacia Sede de Praia Grande e, agora, aguarda o resultado do laudo final para entrar com um processo. “A justiça tem que ser feita”, finaliza.

Hospital

Em nota, a direção do Hospital Municipal Irmã Dulce esclarece que a paciente passou por atendimento na unidade desde o último dia 17, sendo avaliada, atendida e medicada para o quadro de saúde apresentado, sendo posteriormente internada para avaliação diagnóstica aprofundada por não responder ao tratamento ofertado.

“Porém, apesar de receber toda a assistência necessária ao seu caso, a mesma apresentou piora súbita em seu quadro de saúde, com complicações, falecendo na última quarta-feira (29). O caso foi encaminhado ao SVO”, diz a direção.

O hospital afirma se solidarizar com os familiares, que foram orientados em todas as etapas assistenciais, e permanece à disposição para esclarecimentos e orientações.

Doença de Chagas

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença de Chagas é a infecção causada pelo protozoário chamado Trypanosoma cruzi. Esta, apresenta uma fase aguda, que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, que pode se manifestar nas formas indeterminada, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva.

A doença de Chagas pode apresentar sintomas distintos nas duas fases que se apresenta. Na fase aguda, que é a mais leve, a pessoa pode apresentar sinais moderados ou até mesmo não sentir nada. Nesta fase, os principais sintomas são febre prolongada (mais de 7 dias), dor de cabeça, fraqueza intensa e inchaço no rosto e pernas.

Já na fase crônica, a maioria dos casos não apresenta sintomas, porém algumas pessoas podem apresentar problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca e problemas digestivos.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, as principais formas de transmissão da doença de chagas são a vetorial, oral, vertical e acidental. A vetorial se dá pelo contato com fezes de insetos infectados (popularmente conhecidos como barbeiro, chupão, procotó ou bicudo), após picada.

A transmissão oral ocorre a partir da ingestão de alimentos contaminados com parasitas provenientes de insetos infectados. Já a vertical ocorre pela passagem de parasitas de mulheres infectadas por Trypanosoma cruzi para seus bebês durante a gravidez ou o parto. Também ocorre por transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados a receptores sadios.

Já a fase acidental é pelo contato da pele ferida ou de mucosas com material contaminado durante manipulação em laboratório ou na manipulação de caça.