Governo de SP confirma que variante delta da Covid-19 circula no estado e avalia reduzir intervalo da 2ª dose de vacinas

Diretor do Butantan diz que prazo de vacinas com imunização completa mais longa, de 3 meses, precisa ser revisto. Secretário da Saúde fala que é preciso mais doses de Pfizer e AstraZeneca para estabelecer esse prazo. Primeiro caso confirmado na cidade de SP foi de homem de 45 anos que trabalha de casa, não viajou e não teve contato com viajantes.

O governo de São Paulo confirmou nesta quarta-feira (7) que a variante delta já circula no estado entre pessoas que não tiveram histórico de viagens para o exterior. Representantes do governo e do Instituto Butantan discutem a possibilidade de redução do intervalo da segunda dose de vacinas com prazo mais estendido – atualmente de 3 meses- para que possam ser mais efetivas contra a variante.

O tema deve ser debatido na reunião sobre o Plano Estadual de Imunização do estado nesta quinta-feira (8). “Temos uma variante que já é autóctone, ou seja, ela já está circulando no nosso meio em pessoas que não tiveram histórico de viagens ou que tiveram contato com alguém que esteve, por exemplo, na Índia, e, dessa forma, temos que ter uma atenção especial”, disse o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Diante desse novo cenário, para o diretor do Butantan, Dimas Covas, é preciso reavaliar o prazo da imunização completa das vacinas de Pfizer e AztraZeneca, para que as vacinas possam responder à variante. “As vacinas que têm duas doses só completam a imunidade após a segunda dose. No caso do Butantan, esse intervalo é de 28 dias. Então, você completa a imunização mais rapidamente quando comparado com as vacinas que têm intervalo de três meses”, diz Dimas.

“Essas vacinas que têm intervalo de três meses, obviamente que você só vai completar a imunidade passados quase quatro meses da primeira dose. Então, sem dúvida, a possibilidade de antecipação da segunda dose para essas vacinas deve ser considerada, sim”, afirmou.

Segundo ele, embora “as vacinas possam não responder à variante delta de uma maneira geral, o fato de ter a imunidade completa ajuda substancialmente”. “Por isso, muitos já estão considerando a alteração do calendário de imunização prevendo a antecipação da segunda dose, que é uma medida que tem que ser considerada e é correta”, completou.

Na sequência, o secretário Jean Gorinchteyn afirmou que é importante termos mais doses dessas vacinas para que esse novo intervalo possa ser estabelecido. “Mas é importante lembrarmos que também precisamos ter mais doses de vacinas, principalmente das outras vacinas, Pfizer, AstraZeneca, para que esse intervalo entre uma dose e outra possa ser, sim, estabelecido. Se não tivermos esse alento dado pela chancela e liberação do próprio Ministério da Saúde, que coordena o PNI, por mais que essa decisão aconteça, ela operacionalmente terá entraves”, disse.

Cidade de SP

A Prefeitura de São Paulo está investigando a possibilidade de transmissão comunitária da variante delta de Covid-19 na capital paulista. A transmissão comunitária ocorre quando é verificada a circulação do vírus entre pessoas que não viajaram, e já não é possível rastrear a origem dos casos.

A cidade de São Paulo registrou o primeiro caso da variante originária da Índia na segunda-feira (5), em um homem de 45 anos do Belenzinho, Zona Leste da cidade. O coordenador de vigilância em saúde da cidade São Paulo, Artur Caldeira, chegou a afirmar que o caso deste paciente ocorreu por transmissão comunitária. “Com os elementos que nós temos no momento, podemos dizer que temos indícios que podem levar, sim, à confirmação de transmissão comunitária”, disse Caldeira.

No entanto, alertado por assessores, o representante da prefeitura mudou de posição, e declarou que não há subsídios para confirmar a transmissão comunitária. “Hoje, na capital, nós não temos indícios suficientes, nem outros casos suspeitos que nos dão subsídios para afirmar que temos transmissão comunitária. No momento, esse é o único caso que está sendo investigado, justamente pra sabermos a origem da infecção”, declarou Caldeira.

Para o presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP), a variante delta do coronavírus já está circulando na capital. “Este caso de São Paulo capital, ele é um caso autóctone, quer dizer, a pessoa não viajou, não teve contato com ninguém, e isso é o mais preocupante, quer dizer o vírus deve estar circulando já aqui na cidade”, disse Geraldo Reple, do Cosems-SP.

O paciente apontado pela Secretaria Municipal da Saúde como o primeiro caso da variante delta de Covid-19 na cidade de São Paulo está com sintomas leves e isolado em casa, segundo boletim divulgado pela pasta nesta terça-feira (6).

Além dele, outras três pessoas da família (mulher, enteado e filho) estão sendo acompanhadas pelas equipes de saúde. Segundo a secretaria, os três “também apresentaram sintomas na mesma época”.

No entanto, os familiares ainda não foram contabilizados como casos confirmados da variante. “A gestão municipal enviará as amostras dos três familiares para o Instituto Butantan”, diz a secretaria municipal.

A pasta afirma ainda que o homem disse às equipes de saúde que trabalha em casa, não viajou nem teve contato com viajantes. No entanto, ele reside com mais três pessoas, que tiveram contato com terceiros. Segundo a secretaria, “os contactantes estão sendo investigados”.

A variante delta foi identificada no Brasil há cerca de um mês e já é responsável por pelo menos duas mortes no país. Ela tem se tornado a cepa dominante em todo o mundo, segundo a cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan.

Monitoramento em SP

Desde abril, em parceria com o governo, o município tem encaminhado parte das amostras de exames RT-PCR positivos ao Instituto Butantan para que seja realizada uma análise genômica, que identifique as cepas circulantes no momento na cidade. Foi por meio desta iniciativa que foi identificado o primeiro caso positivo para esta variante na capital.

O monitoramento das cepas é realizado por meio de cálculo amostral, por semana epidemiológica, com cerca de 250 amostras semanais que seguem para análise no Butantan, onde é realizado o sequenciamento genético.

Além dessa ação de monitoramento, a secretaria também fechou acordo de estudo de variantes (cerca de 300 amostras) com o Instituto de Medicina Tropical de São Paulo e com o Instituto Adolfo Lutz, que fazem a vigilância com o objetivo de identificar quais cepas circulam pela cidade. Desde o início da pandemia, até 26 de junho, foram monitoradas 2.095.654 pessoas pela rede de atenção básica da capital.

O primeiro caso da variante delta no estado de São Paulo foi identificado em um passageiro de 32 anos que desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, em 22 de maio, e seguiu para o Rio de Janeiro. Ele é de Campos dos Goytacazes, no Rio, e o diagnóstico foi confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz.

* Com supervisão de Cíntia Acayaba

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