Inflação reforça lenta retomada econômica e indica novo corte na Selic

Segundo economistas, preços ainda devem apresentar aceleração neste mês, mas é esperada normalização a partir de agosto.

A inflação de 0,26% no IPCA de junho, puxada pelos setores de alimentação (0,38%) e de transporte (0,31%), marca a interrupção de dois meses consecutivos de deflação no índice oficial de preços ao consumidor. Em relação a maio, que teve queda de 0,38%, sete dos nove grupos apresentaram retomada — o que indica uma volta da inflação generalizada. Nesse cenário, apesar dos números mais positivos, a tendência é que o PIB  (Produto Interno Bruto) se contraia ainda mais e a Selic tenha novo corte na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, em agosto.

“Apesar da aceleração da inflação, esse número ainda é muito confortável. Quando a gente olha o acumulado de 12 meses, ele é de 2,13%. Esse patamar é muito abaixo da meta do ano, que é de 4%”, afirma a economista-chefe da Claritas Investimentos, Marcela Rocha. Ela ressalta que esses dois setores são os que mais reagem à atividade econômica, já que preços de alimentos e gasolina são muito afetados pela taxa de câmbio, pelo preço do petróleo e pelas mudanças nos padrões de consumo.

De acordo com a economista, o IPCA deve continuar positivo nos próximos meses – o período de deflação ficou para trás. “Em julho, a previsão é de uma alta de 0,6%. Para agosto, a tendencia é uma aceleração do preço da gasolina, um aumento nos preços da alimentação — refletindo a normalidade e a taxa de câmbio. Outros itens também devem subir com a reabertura dos serviços de cuidados pessoais — como cabeleireiros, bares e restaurantes. A tendencia é a normalização da inflação. Acelera em julho, mas a partir de agosto se estabiliza nesse patamar. Não seria um repique preocupante, mas uma normalização das atividades. Quando reabrir tudo, vamos entender os repasses de custos e demanda.”

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Uma recessão da economia brasileira ainda é inevitável. As informações já conhecidas mostram que abril foi o pior mês para a atividade no Brasil. O IBC-BR caiu quase 10% no quarto mês do ano. Em contrapartida, o comércio varejista teve alta de 13,9% em maio, e os serviços caíram 0,9%. O que reforça que a recuperação não é generalizada, mas focada nos segmentos que retomaram as atividades. O segundo trimestre terá queda forte no PIB, porque, mesmo com todos os estímulos, foram destruídos postos de trabalho. Nesse cenário, Marcela prevê queda no PIB de 5,5% neste ano.