Influencer tem prejuízo de R$ 200 mil após sofrer golpe de bandido pela web

Diego Henrique da Silva, que comercializa produtos de luxo pelas redes sociais, teve contas invadidas. Depósitos foram feitos em agências cadastradas em Praia Grande (SP).

Um influenciador digital de 33 anos foi vítima de um golpe pela internet e sofreu um prejuízo de aproximadamente R$ 200 mil após criminosos invadirem suas redes sociais e contas bancárias. De acordo com a Polícia Civil, as contas utilizadas para receptar o dinheiro estão cadastradas em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A operadora de celular responsável afirma que tomou as providências cabíveis e que também foi prejudicada.

Diego Henrique da Silva, que comercializa produtos de luxo pelas redes sociais, onde possui mais de 100 mil seguidores, conta que teve os perfis invadidos na última terça-feira (1º), após os criminosos terem acesso a sua conta de celular. Segundo Diego, o chip dele foi desativado e reativado em outro aparelho telefônico. Com isso, os criminosos tiveram acesso às contas.

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“Meu celular ficou fora de área por um tempo e achei que era por conta do sinal. Até perguntei para um amigo, que possui conta na mesma operadora, se estava funcionando, mas ele disse que estava normal. Quando conectei o meu celular na internet, já vi que tinham trocado a senha do meu e-mail, que é a mesma das minhas redes sociais”, conta Diego.

Com o controle das redes sociais do influenciador, os criminosos publicaram um anúncio falso referente à venda de um calçado, com um preço mais baixo do que o normal. Ele explica que o tênis, avaliado em R$ 1,5 mil, foi anunciado por R$ 900 pelos bandidos, o que atraiu a atenção de clientes desavisados.

“Eu trabalho com isso há muitos anos e consegui criar uma confiança, então as pessoas viram aquilo e acharam que era verdade, que eu estava anunciando. Teve cliente que gastou R$ 10 mil, pois compra para revender, e também foi enganado”, afirma. Segundo Diego, no total, 90 vendas falsas foram feitas em seu perfil, totalizando aproximadamente R$ 90 mil.

Assim que percebeu o golpe, Diego notificou a Oi, operadora responsável pela sua conta de celular e denunciou o caso à Polícia Civil na capital paulista. As autoridades descobriram que as agências bancárias utilizadas pelos criminosos para os depósitos estão cadastradas em Praia Grande.

Além das vendas falsas pelas redes sociais, os criminosos também tiveram acesso a uma conta bancária de Diego, da qual transferiram cerca de R$ 110 mil. Porém, parte do dinheiro já foi recuperado pelo influenciador. “Por sorte, o banco identificou a fraude e já reembolsou uma parte, logo deve reembolsar o restante”.

Diego afirma, no entanto, que ainda não obteve qualquer resposta da operadora e fiz que a empresa apenas fez um adendo ao boletim de ocorrência registrado por ele. “Ninguém me ajudou em nada. Se estivessem estado comigo desde o começo, teríamos como ter resolvido esse problema”.

“É proibido cancelar e reativar um chip sem a presença do titular da conta e um documento com foto, então a empresa cedeu minha conta para esses criminosos e até hoje não me ajudaram com nada. Muitas pessoas, que não têm condições, compraram o tênis e saíram no prejuízo. Estou devolvendo o dinheiro mesmo sem ter culpa, mas eles acabaram com meu trabalho”, desabafa Diego.

O caso permanece sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo, em parceria com o policiamento de Praia Grande.

Criminosos se passaram por influenciador para aplicar golpe nas redes sociais — Foto: Arquivo Pessoal

Resposta

Em nota, a operadora Oi informa que entrou em contato com o cliente várias vezes, assim que foi notificada do ocorrido, e deu todos os esclarecimentos cabíveis dentro das regras aplicáveis pela legislação. A companhia informa, também, que entrou ativamente em contato com as autoridades competentes que estão cuidando do caso e ressalta que também foi prejudicada e aguarda a resposta da investigação.

A Oi reitera que fornecer informações sigilosas é crime. A fraude está sob investigação das autoridades competentes com as quais está colaborando.

A operadora ainda ressalta que tomou as providências que estavam ao seu alcance, dentro das regras aplicáveis, e como o próprio cliente reconheceu em postagens em suas redes sociais, deu apoio a ele e atenção ao caso, com uma série de medidas que demonstram que a companhia adotou todas as medidas cabíveis: suspendeu a linha e trocou o número do cliente no chip fraudado assim que houve a notificação na loja, a Ouvidoria abriu processo interno de apuração do caso e o diretor de atendimento fez contato telefônico e se colocou à disposição para qualquer novo esclarecimento.

A companhia finaliza dizendo que não tem como ceder a pressões que levem ao descumprimento da lei e continuará cumprindo as regras aplicáveis determinadas pela legislação vigente. (Com informações de Gabriel Gatto/G1 Santos)