Jovem ararense autista enfrenta desafios e encontra nas passarelas um motivo para continuar

Mais do que uma carreira, a moda representa para ela a possibilidade de reencontrar um lugar onde se sente bem e capaz de mostrar quem realmente é.

Kathielen Castro dos Santos, mais conhecida por “Bella”, é uma jovem autista de Araras (SP), que transforma dificuldades em força e encontra na moda um espaço de acolhimento, expressão e esperança. Com necessidade de suporte nível 2 e possibilidade de chegar ao nível 3 em períodos de esgotamento social, ela enfrenta uma trajetória marcada por desafios relacionados à saúde mental, acessibilidade e inclusão.

Ao longo dos últimos anos, ela passou por diversas internações psiquiátricas. Sem uma rede de apoio estruturada e sem acesso a terapias como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), ela precisou enfrentar boa parte desse processo com recursos limitados.

Em meio às dificuldades, a moda surgiu como um refúgio. Para ela, estar em uma passarela representa muito mais do que desfilar. É um momento de alívio, liberdade e realização. É quando ela consegue se expressar e se conectar com um sonho que carrega consigo: tornar-se modelo.

No entanto, chegar até as passarelas nem sempre é fácil. A falta de acessibilidade e a sobrecarga sensorial fazem com que ela precise abrir mão de diversas oportunidades. Ela compara esses momentos à sensação de perder o controle de um carro em alta velocidade, diante de estímulos que podem se tornar difíceis de administrar.

Mesmo diante dessas barreiras, a jovem permanece determinada a cuidar da própria saúde mental e seguir em frente. O objetivo é claro: voltar às passarelas.

O sonho de ser modelo se tornou uma das principais fontes de motivação para ela continuar lutando e enfrentando cada etapa do tratamento. Mais do que uma carreira, a moda representa para ela a possibilidade de reencontrar um lugar onde se sente bem e capaz de mostrar quem realmente é.

A história também chama atenção para a importância da acessibilidade e da inclusão de pessoas autistas em diferentes espaços da sociedade. Para que sonhos como o de “Bella” não sejam interrompidos, é necessário compreender que inclusão não significa apenas permitir a presença, mas também oferecer condições adequadas para que cada pessoa possa participar.

Entre internações, desafios, limitações e recomeços, ela continua olhando para frente. E, enquanto enfrenta suas batalhas, mantém vivo o sonho de voltar a caminhar sobre uma passarela. Porque, para ela, cada passo em direção à moda representa também um passo em direção à própria vida.

A história de Bella mostra que limitações não devem definir até onde uma pessoa pode chegar — e que nenhum sonho deveria ser interrompido pela falta de acessibilidade.

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