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Estudante de RH contraiu uma infecção na medula óssea causada pelo acessório.

Um piercing no nariz mudou completamente a história de vida da brasiliense Layane Dias, de 21 anos. O furo acabou infeccionando e, hoje, a estudante de Recursos Humanos precisa de uma cadeira para se movimentar, pois ficou sem os movimentos do peito para baixo. 

“Tudo começou em junho de 2018, quando decidi furar o nariz. Pouco mais de um mês após a aplicação, uma bolinha vermelha nasceu na ponta do meu nariz, como se fosse uma espinha, mas ela desapareceu em uma semana. No entanto, dois dias após esse ‘sumiço’, comecei a sentir fortes dores nas costas.

Na época, tinha acabado de conseguir um estágio na minha área e fui comemorar em um barzinho com algumas amigas. Como dancei e me diverti bastante, achei que as dores pudessem ser por conta disso. Mas elas pioraram.”

Estudante de RH contraiu uma infecção na medula óssea causada pelo acessório – Foto: Reprodução/Faceebook

DIFICULDADE DE DIAGNÓSTICO

“Decidi procurar um posto de saúde, e me deram algumas injeções para eliminar a dor, mas o efeito não durava muito. Os dias foram passando e, já no final daquela semana, após conseguir dormir com a ajuda de remédios, acordei e não conseguia mais sentir as pernas.

Acabei internada para uma investigação, que não encontrava nada. Foram os piores dias da minha vida, até que um exame de sangue indicou uma infecção. Com a ajuda de uma ressonância de contraste, os médicos enxergaram 500ml de pus contraindo a minha medula espinhal. Era por isso que eu sentia tantas dores e não conseguia mais movimentar a parte de baixo do meu corpo.

Apesar de uma cirurgia de emergência ter sido realizada, não conseguia mais andar. Essa foi a pior parte, pois não imaginava que fosse voltar de cadeira de rodas para casa.”

OUTRA VIDA

“No começo foi muito difícil, pois achei que nunca mais seria feliz de novo. Mas no meu aniversário do ano passado, em 11 de novembro, decidi que as alternativas eram: ficar prostrada na cama ou viver a minha vida. Fui na segunda opção.

Já pensei muito sobre o dia em que coloquei o piercing.  No começo, bateu um arrependimento forte, principalmente quando descobri que ele foi o culpado da minha situação. Mas hoje eu acredito que tudo tem um propósito, e já não tenho sentimentos ruins sobre isso.

Meu conselho para todo mundo é: procure saber como é a esterilização do local onde você vai colocar seu piercing, pois eu mesma não fazia ideia disso. De forma alguma quero que as pessoas tenham medo ou pavor disso, mas peço que prestem atenção e que esses profissionais dos estúdios cuidem melhor de seus clientes, para que isso o que aconteceu comigo jamais ocorra novamente.”

Layane Dias, de 21 anos, precisa de uma cadeira de rodas para se locomover – Foto: Bárbara Leite/arquivo pessoal

ISSO É COMUM?

De acordo com o infectologista Felipe Tuon, que é professor do Adjunto de Infectologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), casos como o de Layane são extremamente raros, mas podem acontecer por uma série de fatores, como as condições de higiene do estúdio onde ocorreu a perfuração e o próprio organismo da pessoa.

“Muito provavelmente ela já possuía uma grande quantidade dessas bactérias no nariz e, ao furar o local, elas encontraram uma forma de chegar até a corrente sanguínea e se proliferarem”, diz o médico, que acredita que a tal bolinha que apareceu na ponta do nariz da garota já era, na realidade, a inflamação.

Segundo Tuon, esse tipo de complicação pode ocorrer quando o piercing é aplicado de maneira incorreta, além do uso de produtos esterilizados de forma inadequada.

COMO EVITAR?

Além de prestar atenção na higiene do estúdio onde você pretende colocar seu piercing, o médico aconselha fazer uma assepsia adequada no local, principalmente nos primeiros dias após a perfuração. “Uma limpeza feita com água, sabão e antissépticos é o ideal para a ajudar essa cicatrização, evitando que bactérias oportunistas como essa se proliferem”, ressalta o médico.