Mãe de menina de 9 anos estuprada por padrasto diz que filha não contou abuso por receber ameaça

Abusos sexuais começaram há dois anos; menina nunca pediu ajuda para a família de Jaci (SP) por receber ameaças.

“Ela ficava mais na dela, vendo vídeo no celular, quieta, no canto dela. Nunca percebi nada. Ela guardou tudo para ela”. O relato é da mãe da menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto, em Jaci (SP).

A mulher afirma que os abusos sexuais contra a criança começaram há dois anos, mas a menina nunca pediu ajuda para a família, porque o homem, que foi preso, ameaçava matar a mãe dela caso contasse. “No dia que ela contou, falou só que ele passava a mão nela, não chegou a contar o que deu no laudo. Para o médico do laudo, ela realmente contou o que aconteceu.”

De acordo com o boletim de ocorrência, o homem passou a ser investigado depois que a criança contou à mãe que, desde 2019, o padrasto a obrigava a assistir diversos vídeos pornográficos e passava a mão nas partes íntimas dela.

Depois de escutar a filha, a mulher conversou com o companheiro, que negou ter estuprado a enteada e apresentou versões divergentes sobre as acusações, o que fez com que a mãe da menina resolvesse procurar a polícia, ainda segundo o B.O. A vítima fez exames, que constataram o estupro. O Conselho Tutelar foi acionado e elaborou um relatório sobre o caso. O homem permanece preso.

Crimes dentro de casa

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 73% dos casos de abuso infantil registrados no país ocorrem na casa da vítima ou do suspeito. Além disso, 40% dos crimes são cometidos pela figura paterna. Apenas em São José do Rio Preto, 137 notificações de violência contra crianças e adolescentes foram registradas em 2020. Nos três primeiros meses deste ano foram 37.

Todos os menores vítimas de crimes como o abuso, exploração sexual e estupro são encaminhados aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), onde recebem atendimentos de profissionais como terapeutas e psicólogos. “Elas chegam muitas vezes em extremo sofrimento, às vezes já revelam ou não o abuso. Não vamos questionar a criança sobre o abuso, vamos tratar os sintomas que ela apresentar. A depressão, ansiedade, às vezes comportamento sexualizado”, explica Ednéia Ribeiro Pinto, psicóloga do CAPS.

Evandro Pelarin, juiz da infância e juventude de Rio Preto explica que a exploração sexual pela internet está entre os crimes mais comuns.”Vem crescendo bastante os crimes praticados pela internet, principalmente envolvendo nudez, pedofilia, de crianças e adolescentes. Isso nos preocupa muito, porque na pandemia as crianças ficam mais tempo na internet”, diz.

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ÁGIL DPVAT