Médica investigada por fraudes na saúde foi detida após agredir delegada em Limeira, SP

Operação Ethon apura supostos desvios de verbas públicas destinadas a combater a pandemia. Médica desferiu tapas e socos em policiais, segundo boletim de ocorrência. Defesa da vítima considerou “extrema” a prisão e negou irregularidades em relação às investigações.

Por G1 Piracicaba e EPTV — Uma médica de 42 anos foi presa por agressão a uma delegada e um policial durante um cumprimento de mandado de busca e apreensão, em Limeira (SP), na manhã desta quarta-feira (18).

O mandado faz parte da Operação Ethon, realizada pelo Ministério Público para investigar supostos desvios de verbas públicas destinadas a combater a pandemia no Distrito Federal. A Promotoria apura se houve crimes de peculato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Segundo o boletim de ocorrência, durante as buscas em uma casa na Rua Presidente Humberto Alencar Castelo, no Jardim Mercedes, em Limeira, Cinthya Cristina Telles proferiu xingamentos contra os policiais, citados no documento: “Vocês são os policiais de m…, vocês são ladrões, vocês são bandidos, por isso andam armados”.

Os policiais relataram que ao tentarem realizar buscas em um cômodo ela se colocou à frente para impedir a passagem e, ao conseguirem o acesso, a médica desferiu tapas e socos na delegada e em um policial que realizavam a ação, que também sofreu arranhões no braço.

Após receber voz de prisão, a indiciada também resistiu a ser algemada, ainda conforme os policiais. Na avaliação do delegado que registrou o caso, presente no boletim de ocorrência, a manutenção da prisão da médica é “imprescindível para uma completa apuração criminal, tendo em vista que a indiciada conhece as vítimas e seu local de trabalho”.

A Polícia Civil decidiu pelo pedido de prisão preventiva da médica à Justiça. Na casa alvo da operação foram apreendidos dois computadores e um celular.

A investigação

Segundo o Ministério Público, a investigação revelou um esquema com desvio de milhões de reais em dois contratos destinados ao fornecimento emergencial de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), entre março e outubro de 2020.

A Promotoria cita superfaturamento de preços, direcionamento das contratações, além de falta de fornecimento de insumos, medicamentos e mão de obra em quantidade e qualidade exigidos. “As ilegalidades praticadas tiveram como consequência a ocorrência de altíssimas taxas de mortalidade nos leitos de UTIs de alguns hospitais administrados pelas empresas”, diz o MP.

Os mandados de busca e apreensão expedidos foram cumpridos no Distrito Federal e em cidades do Amazonas, Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.

O que diz a defesa

Advogado e marido de Cinthya, Breno Lima Bandeira considerou a prisão uma medida extrema e afirmou que os policiais invadiram a casa sem apresentar mandado judicial. “Estávamos acordando, a Cynthia se descontrolou, ficou um pouco nervosa com tudo o que estava acontecendo, e houve uma agressão mútua. Não houve uma agressão exclusiva por parte da Cynthia”, afirmou.

Ele também ressaltou que a prisão foi por desacato e não pelo que está sendo investigado na operação. O boletim de ocorrência relata que a médica foi detida por lesão corporal, desacato, desobediência e resistência.

Em relação à Operação Ethon, Bandeira afirmou que ele e a companheira foram autores de denúncias que levaram à apuração, com comunicações ao Ministério Público, e que todos os preços oferecidos nas concorrências das quais as empresas que a médica participa ou participou foram os menores. “As empresas que estão sendo investigadas são empresas com as quais não temos nenhum tipo de vínculo. Com relação à investigações, estamos absolutamente tranquilos porque sabemos do nosso papel, da lisura com a qual administramos os serviços. Inclusive, chegamos a deixar de prestar o serviço porque começamos a ser perseguidos por órgãos do Distrito Federal com bloqueio de pagamentos”, acrescentou.

Nossa reportagem solicitou ao Ministério Público do Distrito Federal detalhes sobre as investigações relacionada a Cinthya, mas a Promotoria informou que as equipes ainda estavam em campo, cumprindo os mandados.

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ÁGIL DPVAT