Menina de 3 anos engole broche da roupa da mãe e é internada na UTI

Criança ficou sete dias com o objeto entre o esôfago e a laringe e passou por duas cirurgias para a retirada. A mãe disse que ela já não conseguia mais respirar e, por isso, foi intubada.

Uma menina de 3 anos engoliu um broche que estava na roupa dela, na terça-feira (21), e precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nesta semana, a criança passou por duas cirurgias para a retirada do objeto, que tem cerca de 3 centímetros, e agora está intubada no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC).

A mãe da criança, Eronildes Neves, contou que a filha ficou sete dias com o objeto entre o esôfago e a laringe, até que, na sexta-feira (24), foi intubada, pois não estava mais conseguindo respirar. “Estava limpando a casa quando minha filha chegou e falou que tinha engolido o coração que estava na roupa. Na mesma hora corri com ela para o posto de saúde, mas como não tinha médicos e nem enfermeiros, fui encaminhada para a UPA da Morada do Ouro e na sexta foi transferida para o HMC”, relatou.

Durante o último fim de semana, a equipe de saúde esperou que a criança expelisse o objeto, no entanto, isso não aconteceu. Já na segunda-feira (27), os médicos do HMC tentaram retirar o broche por meio de cirurgia, mas durante o procedimento perceberam que a retirada poderia causar lesões até mesmo nas cordas vocais da menina, e cancelaram a operação. “A cirurgia realizada na segunda-feira não foi satisfatória. Foi aí que eles buscaram o apoio do Hospital Geral, para que pudesse ser feito o procedimento por um médico especialista”, contou a mãe.

A partir daí, foi solicitado o apoio do médico otorrinolaringologista Dergan Baracat, que trabalha no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá (HG).

Médicos responsáveis pela cirurgia de retirada do broche em Cuiabá — Foto: HG/Divulgação

Objeto na roupa da criança

A mãe da menina disse que comprou a roupa para a filha e guardou em uma cômoda no quarto da criança. Ela afirmou que sempre retira esses pingentes das roupas, exatamente pelo risco da criança colocar o objeto na boca, no entanto, ela esqueceu dessa vez.

Dias depois, a própria criança pegou a roupa no quarto e mordeu o broche e, em seguida, o engoliu. Eronildes foi avisada pela própria filha, que mostrou a roupa e contou que havia engolido o pingente.

Alerta

O médico Dergan Baracat disse que tem sido constante esse tipo de acidente com crianças de até 4 anos, pois costumam levar tudo à boca. “Os pais devem saber que nesta idade, é necessário retirar de perto todos os objetos que forem pequenos e couber na boca do filho, para evitar esses acidentes”.

O diretor clínico do HG, Antônio Figueiredo, ressaltou que esses acidentes podem agravar quando os pais tentam intervir. “Quando os pais notam o ocorrido, eles ficam mais nervosos e acabam tomando atitudes visando ajudar o filho, mas sem saber podem prejudicar ainda mais as crianças nesta situação. O mais aconselhável é manter a calma e procurar imediatamente auxílio médico, principalmente quando o objeto for colocado no nariz, pois pode ser aspirado para o pulmão”, pontuou.

Segundo dados do Ministério da Saúde e do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS), a principal causa de mortes por acidentes em crianças menores de 1 ano é a asfixia, pois o material engolido pode comprimir e pressionar a laringe.

Acidentes ou lesões não intencionais são responsáveis, em média, pela internação de mais de 111 mil crianças no Brasil, levando 3,6 mil a óbito todos os anos, segundo os dados mais recentes disponíveis do Ministério da Saúde (2019). “A gravidade neste caso foi que o objeto engolido pela criança não foi expulso pelo organismo, pois ficou alojado no esôfago, o que poderia ter levado a óbito”, explicou.

Nessa quinta-feira (29), Dergan fez a retirada do broche com a ajuda de um aparelho específico para esse tipo de procedimento. Segundo ele, a cirurgia foi um sucesso, mas a criança precisa continuar intubada para que se recupere aos poucos. O hospital informou que ela deve receber alta na próxima semana.

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ÁGIL DPVAT