Ministro da Economia destaca aprendizados, desafios e conquistas no enfrentamento da pandemia

Paulo Guedes concedeu entrevista na semana passada à organização norte-americana Atlantic Council, em Washington.

As implicações socioeconômicas da pandemia e o papel das instituições financeiras internacionais na recuperação global foram temas centrais da entrevista concedida na quarta-feira (13) pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao Atlantic Council, organização norte-americana “think tank” – dedicada à produção de conhecimento sobre assuntos econômicos, políticos e científicos, fundada em 1961.

Paulo Guedes afirmou que a pandemia fortaleceu a percepção do governo brasileiro de que a forma mais eficaz de auxiliar os mais vulneráveis seria por meio de transferências diretas de renda. “E então deixe-os fazer suas escolhas”, disse, enfatizando, contudo, a necessidade e a importância dos investimentos permanentes em educação, em assistência social e, sobretudo, na infância, desde os primeiros anos de vida.

“Em 2020, tivemos a mais importante redução da pobreza dos últimos 40 anos no Brasil”, disse. “Digitalizamos 68 milhões de pessoas, 40 milhões das quais eram invisíveis, estavam no mercado informal, e outras 28 milhões dependiam dos programas assistenciais. Foi um impacto fabuloso”, declarou.

O ministro destacou a vacinação de 93% e de 60% da população adulta com, respectivamente, a primeira dose e as duas doses como resultado das ações de enfrentamento da pandemia até o momento. “Estamos vivenciando um retorno seguro ao trabalho”, frisou. “O [Produto Interno Bruto] PIB do Brasil caiu menos da metade do que foi estimado pelo FMI”, salientou Paulo Guedes, lembrando a projeção feita pelo Fundo, de queda de 9,7%. “Preservamos um terço da força de trabalho do setor privado, 11 milhões de empregos, e criamos três milhões de postos do meio do ano passado até agora. Nós realmente tivemos uma performance interessante. Nós caímos menos, nos recuperamos mais rapidamente e estamos crescendo acima da média das economias avançadas, e não apenas da América Latina, mas também da Zona do Euro. Nós estamos crescendo rápido. Vamos crescer 5,3% este ano”, afirmou.

Vacinação e ajuda aos vizinhos

Paulo Guedes ressaltou que a prioridade absoluta do governo brasileiro é a vacinação. A segunda preocupação é a recuperação dos países, de forma igual. “Certos países que não têm acesso à vacina estão sofrendo mais”, alertou. O ministro disse que, após ter toda sua população vacinada, o Brasil ajudará os vizinhos. “Há economias que foram devastadas”, explicou, usando como exemplo países do Caribe que vivem do turismo. “Eles precisam retomar seus serviços”, afirmou.

As mudanças climáticas também receberam atenção especial do ministro como outro grande foco de atenção do governo. “Calamidades estão acontecendo”, pontuou, mencionando a escassez de chuvas no Brasil, com impacto no fornecimento de energia em razão do largo uso de hidroeletricidade no país.   

Por fim, Paulo Guedes destacou a condição do Brasil como quarto principal destino de investimentos no mundo. O ministro reiterou o funcionamento das instituições e a força da democracia brasileira, reafirmou sua convicção no avanço de reformas estruturais, apesar da pandemia – usando como exemplo a independência do Banco Central –, e voltou a pedir aos investidores que confiem no Brasil. “Estamos seguindo nosso programa”, assegurou o ministro da Economia.

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