Morte no trânsito não escolhe vítimas por ideologia

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A maioria dos responsáveis pelos acidentes que matam e sequelam, deixam famílias órfãs, tem a garantia da impunidade, que no caso do trânsito é muito maior.

 
Hoje é celebrado o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito. É uma data ONU. Apesar disso, no Brasil não temos nada para comemorar, somente retrocessos que já estão produzindo mais mortes, particularmente nas rodovias federais. Já são mais de 40 mil mortos por ano, 400 mil feridos, mais de 200 mil pessoas com lesões permanente ou invalidez a cada ano.
 
A maioria dos responsáveis pelos acidentes que matam e sequelam, deixam famílias órfãs, tem a garantia da impunidade, que no caso do trânsito é muito maior. Estes dias recebemos várias mensagens de pessoas que perderam entes queridos nas estradas. Nos chamou atenção dois casos em particular. Um senhora perdeu o filho e o irmão , outra o marido caminhoneiro.
 
Quando visitamos as mídias sociais de ambas, descobrimos que aquela que perdeu o filho é fan do Haddad e a esposa do caminhoneiro de Bolsonaro. A dor dos familiares das vítimas é a mesma, não importa crença, raça, classe social, preferências políticas. Nenhum das duas senhoras sofreu diferente. Precisamos entender que vítima não tem ideologia , tem família.
 
O casal da foto e sua linda Alice, que completaria 1 mês, morreram no dia 12 de outubro, Dia da Padroeira e Dia da Criança, num acidente na Dutra. Junto com eles morreram a avó da menina e o seu esposo. O caminhoneiro que invadiu a pista contrária também morreu.
 
Alguém acha que a menina tinha partido? Alguém perguntou no enterro em quem os mortos tinham votado? Claro que não, porque há coisas muito maiores na vida. Num momento de tanta polarização, devemos lembrar antes de tudo que somos todos humanos.
 
Nesta data é importante recordar dos que se foram ou que ficaram com invalidez permanente por causa de acidente de trânsito. Talvez ajude a sociedade entender que a prioridade é a preservação da vida. Nós não temos dúvida de que os Governos, os anteriores e atual, jamais entenderam isso.
 
Cabe a nós fazer com que as autoridades mudem de postura mas nós também temos que dar nossa contribuição para isso. Caso contrário, continuaremos a contabilizar os mortos, como estamos vendo neste feriado da Proclamação de República!