Mulher que jogou bebê vivo do 2º andar responderá por infanticídio após laudo psicológico

Laudo constatou que ela estava em puerpério, estado psicológico alterado logo após o parto, o que fará com que tenha uma pena menor.

A jovem de 20 anos que jogou um bebê recém-nascido do 2º andar de um prédio em Praia Grande, no litoral de São Paulo, vai responder por infanticídio. A Polícia Civil confirmou a informação neste sábado (12). A decisão ocorre após um laudo confirmar que ela estava em puerpério, estado psicológico alterado logo após o parto.

A delegada Lyvia Bonella, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande, relata que a jovem foi até São Paulo fazer o exame, e o laudo chegou na última semana. “A conclusão foi de que ela realmente estaria sob o efeito puerperal, uma alteração psicológica que se dá após o parto. Significa que ela vai ter uma pena bem mais branda”, explica a delegada.

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“A pena por infanticídio vai de 2 a 6 anos, por ter matado sob esse efeito psicológico. Já a pena do homicídio é maior, de 6 a 20 anos. A diferença é muito grande”, explica a delegada. Ela diz, ainda, que a mulher manteve a mesma versão dita anteriormente à polícia.

O crime aconteceu no dia 18 de junho. O recém-nascido foi encontrado por uma funcionária do prédio, a polícia foi acionada e começaram as investigações. Toda a ação foi flagrada por câmeras de monitoramento, e exames comprovaram que o bebê nasceu vivo. A delegada responsável pelo caso chegou a pedir a prisão preventiva da jovem, mas ela foi liberada após a Justiça indeferir o pedido.

Conforme o depoimento da jovem, ela teria entrado no banheiro de casa por volta das 7h, quando fez o parto. Ela relatou que não sabia da gravidez, e que fez o trabalho de parto sozinha. De acordo com a polícia, a médica legista examinou o bebê e constatou que ele nasceu vivo e morreu por asfixia, e não pela queda.

Ainda não foi definido se a asfixia foi causada pelo fato de o bebê estar dentro do saco de lixo, mas ele não tinha marcas no pescoço. Segundo a delegada, as autoridades ainda aguardam laudos com detalhes sobre a morte do bebê. O celular da jovem também foi apreendido e a análise das mensagens pode ajudar na investigação.

Mulher foi flagrada por câmeras de monitoramento arrastando saco com bebê — Foto: G1 Santos

Entenda o caso

O recém-nascido foi encontrado por uma funcionária do prédio, na manhã do dia 18 de junho. A auxiliar de serviços gerais Cristiane Pereira Campos Silva, de 45 anos, relatou que viu um saco de lixo estranho e suspeitou. “Tinha muito lixo em um balde só, e a sacola estava separada. Quando eu levantei a sacola, vi muito sangue, ainda estava meio morno”, disse a funcionária.

Ela chamou o zelador, que a ajudou a abrir o saco, onde o recém-nascido foi encontrado. No mesmo momento, eles acionaram a Polícia Militar, que acreditou que o bebê fosse um feto e comunicou a Polícia Civil para dar prosseguimento à ocorrência. No prédio, havia rastros de sangue pelos locais onde a mãe tinha passado.

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada. O corpo da criança foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

A ação da jovem foi registrada por câmeras de monitoramento do prédio. No vídeo, é possível ver o saco caindo e ela arrastando o recém-nascido. Conforme informou a Polícia Civil, a indiciada demonstrou serenidade ao relatar os fatos e não apresentou arrependimento, mantendo-se calma durante os questionamentos. (Com informações do G1 Santos)