Mulher que pulou do 1º andar de prédio para não ser estuprada volta a andar

São quase três meses de fisioterapia após o incidente em Goiânia, que foi registrado por câmera de segurança.

Por Rafael Oliveira, G1 GO – A cabeleireira Juliane Lacerda Lima, de 36 anos, voltou a andar depois de sofrer uma lesão na médula ao pular do 1º andar de um prédio para fugir de uma tentativa de estupro em Goiânia (GO).

Após a queda, ela passou por duas cirurgias e perdeu o movimento da cintura para baixo. Os primeiros passos vieram depois de quase três meses de fisioterapia intensa. “O que parecia impossível para mim e para muitos, se tornou realidade. Ficava imaginando esse momento tão distante na minha vida, mas sempre com fé que chegaria, e Deus sempre me surpreendendo, me mostrando que está do meu ladinho a todo o tempo, menos de três meses depois de uma lesão medular, estou aqui de pé”, comemorou a cabeleireira.

O caso aconteceu no dia 29 de janeiro deste ano. A cabeleireira estava no salão dela com uma funcionária quando um homem entrou e usou uma faca fazer ameaças de morte caso elas não tivessem relações sexuais com ele. Foi quando ela decidiu pular da sacada para pedir ajuda.

A cabeleireira teve alta do hospital em 11 de fevereiro, duas semanas depois de passar por uma cirurgia e uma no calcanhar direito. Na época, ela havia perdido o movimento da cintura para baixo.

Juliane faz sessões de fisioterapia no Crer e com uma profissional particular praticamente todos os dias para recuperar o movimento das pernas e fortalecer a musculatura perdida enquanto esteve na cadeira de rodas. “Voltarei a ter minha vida normal e fazendo tudo melhor que antes. Vivendo e agradecendo por cada dia vivido. Dê valor ao que pode fazer hoje porque amanhã pode ser muito tarde”, pontua a cabeleireira.

Câmera de segurança registra quando Juliane Lacerda Lima pula do 1ª andar de prédio em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Mudança na rotina

A cabeleireira disse que a rotina mudou completamente após o incidente. Agora, ela depende de familiares para realizar tarefas dentro de casa e até tomar banho.

A maioria da família dela mora no interior do estado. Por isso, duas tias, uma irmã e a mãe se intercalam a cada 15 dias para cuidar da Juliane e não a deixar sozinha. “O meu salão está parado, mas não fechado. A minha família me ajuda também financeiramente. Uma funcionária minha ainda está no salão, mas não achei outra cabeleireira para me substituir”, explica Juliane.

Com a evolução do quadro e o retomar dos passos ainda dentro de casa, a cabeleireira espera retornar ao trabalho no final deste ano.

Juliane Lacerda volta a andar com a ajuda de um andador em Goiânia — Foto: Reprodução/Instagram

Assalto e estupro

O salão de Juliane fica no Setor Parque Oeste Industrial. Ela contou que o assaltante chegou ao local, pouco antes das 11h do dia 29 de janeiro, usando capuz, máscara e óculos.

De acordo com ela, o criminoso anunciou o assalto, pegou o dinheiro que estava no caixa e os celulares dela e de uma funcionária. Logo depois, segundo a cabeleireira, ele ordenou que elas tirassem a roupa. “Ele mandou a gente subir para o primeiro andar. Quando eu cheguei lá em cima, eu vi que a porta da sacada estava aberta e pulei. Quando eu caí, eu já comecei a gritar socorro muito alto”, explicou.

A funcionária, que não quis ser identificada, contou que o criminoso tirou a roupa dela antes de a patroa pular. Segundo ela, ao perceber que Juliana tinha escapado, o homem se assustou, pegou os celulares e fugiu em uma bicicleta. Durante a fuga, ele deixou os celulares delas e o próprio telefone cair no chão.

Com o celular dele e as imagens das câmeras de segurança, a Polícia Civil identificou o suspeito e o prendeu, em 17 de fevereiro. Felipe Lopes Maia, de 22 anos, continua preso até esta quarta-feira. A informação consta no página do Tribunal de Justiça de Goiás.

 

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