Mulher relata agressões verbais após filha autista cantar em ônibus e denuncia caso à polícia em Limeira, SP

Segundo a vítima, passageira pediu que elas calassem a boca ou descessem do ônibus e disse que a mãe era culpada pelo transtorno da criança. Caso foi registrado como injúria.

Uma mulher de 43 anos registrou um boletim de ocorrência no qual relata que ela e sua filha de 3 anos, que tem autismo, sofreram agressões verbais dentro de um ônibus, em Limeira (SP), porque a criança estava cantando. O caso foi registrado como injúria.

De acordo com o registro no 1º Distrito Policial da cidade, o caso ocorreu por volta das 12h30 da terça-feira (26), mas foi relatado à polícia nessa quarta-feira (27) pela manhã.

A vítima contou que estava dentro do coletivo com a filha, quando ela começou a cantar a cantiga infantil, o que incomodou uma passageira. “Uma mulher olhou para trás, sentada dois bancos para frente, e falou: ‘mãe, tem como você fazer sua filha calar a boca?’. Eu não acreditei, eu ainda fui educada: ‘por favor, senhora, não entendi’. ‘Isso, faz filha calar a boca. Ou ela cala a boca, ou você desce do ônibus com ela ou vai sentar lá atrás'”, contou.

A mãe disse que o motorista do ônibus ofereceu ajuda. “Ele parou o ônibus e falou: ‘o que tá acontecendo?’. Aí eu expliquei, eu falei: ‘senhor, a minha filha é autista. Ela tem três anos e dois meses’. Ela falou: ‘não interessa se a sua filha é autista. Eu quero que ela cale a boca. Ela deve ser autista, culpa sua’. Nossa, isso me doeu muito, muito. Tá doendo até agora”, lamentou.

Ela relatou no boletim de ocorrência que a passageira desceu no mesmo ponto que ela e sua filha, na Avenida Assis Brasil, na Vila Camargo, onde onde continuou a falar que a mãe era a culpada pelo autismo da criança.

Criança reagiu com crise

A vítima contou que a filha reagiu com uma crise e apresentou vômito e febre. Ela não soube informar a identidade da passageira, mas disse que ela tem cerca de 50 anos, é branca e tem cabelos pretos. “Nós que temos filhos autistas, a gente tem que estampar. Daqui uns dias, a gente vai ter que carregar um crachá desse tamanho: ‘minha filha é autista, caso ela tenha crise, por favor, se ela te incomodar…’ e não é assim”.

“Muitas vezes, a gente se depara com situações em que essas crianças são mal interpretadas: ‘ah, essa criança mal educada’, ‘essa mãe não educa em casa’, ‘essa criança não tem limites’, e não é bem assim. As nossas crianças entendem o mundo, recebem o mundo de maneira diferente”, explica a psicóloga Natália Cesar de Brito.

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ÁGIL DPVAT