No atual ritmo, aquecimento global pode chegar a 3,2º C, segundo o IPCC

Novo relatório do IPCC conclui que, se for mantido o ritmo das políticas de clima adotadas até 2020, o aquecimento global poderá chegar a 3,2º C em 2030.

Caso a sociedade mantenha o mesmo ritmo das políticas públicas de clima adotadas no mundo até 2020, o aquecimento global poderá chegar a 3,2C em 2030. O número é mais do que o dobro do limite adotado no Acordo de Paris, firmado em 2015 e que visa limitar o aquecimento da terra a 1,5º C até 2030. A informação é do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, o IPCC, que lançou a terceira e última parte de seu sexto relatório na segunda-feira (04/04).

O sexto Relatório de Avaliação do IPCC é resultado do trabalho de 268 especialistas de 65 países, inclusive do Brasil. Juntos, eles revisaram mais de 8 mil publicações científicas e responderam a 6 mil comentários sobre o tema da redução de emissões de gases de efeito estufa. O documento, lançado com atraso após negociações tensas sobre sua linguagem, que opuseram países desenvolvidos e países em desenvolvimento, agora dá dados concretos sobre o que precisa ser feito para impedir ou reduzir o aquecimento global.

Segundo o documento, desde a era pré-industrial até hoje, a humanidade já emitiu 2,4 trilhões de toneladas de gás carbônico (CO2), um dos principais gases associados ao efeito estufa. Desse total, 58% foram emitidos entre 1850 e 1989 (um total de 139 anos), e 42% entre 1990 e 2019 (um total de 29 anos). Somente na última década, a humanidade emitiu 17% de todo o carbono da história industrial.

O estudo mostra que para que a humanidade tenha uma chance de pelo menos 50% de estabilizar o aquecimento global em 1,5oC acima dos níveis pré-industriais, como determina o Acordo de Paris, as emissões globais de gases de efeito estufa precisam atingir seu pico entre 2020 e 2025, e depois cair 43% até 2030. No entanto, elas vêm crescendo desde 2010, apesar da consciência mundial da escala do problema e da urgência de ação.

Segundo os pesquisadores, o mundo hoje possui condições de cortar as emissões de gases de efeito estufa pela metade em 2030 em relação a 2019, quando foram lançados 59 bilhões de toneladas de gases na atmosfera. No entanto, é preciso lançar mão de estratégias e tecnologias de mitigação que custam até US$ 100 a tonelada.

Metade dessas estratégias, de acordo com os cálculos feitos, custa menos de US$ 20 a tonelada, e no setor de energia, em especial em energia eólica e solar, há potencial de redução a custo negativo – ou seja, é mais barato adotar as fontes renováveis do que seguir com as fósseis, que são hoje as principais emissoras de gases de efeito estufa.

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