Nova mortandade de peixes é registrada no rio Mogi Guaçu em Araras, SP

De acordo com Alexandre Castagna, presidente do Saema, enquanto uma nova Estação de Tratamento de Esgoto está sendo construída, a atual ETE recebeu investimentos ao longo de 2021, e hoje trata cerca de 65% do seu esgoto.

Uma nova mortandade de peixes foi registrada na tarde de manhã desta terça-feira (28), no rio Mogi Guaçu, em Araras (SP). No vídeo feito no bairro Cascata (região do Condomínio Araguaia), é possível ver manchas de óleo na água e ver várias espécies de peixes mortos pelo rio. ASSISTA ABAIXO:
 

Tratamento

De acordo com Alexandre Castagna, presidente do Saema, enquanto uma nova Estação de Tratamento de Esgoto está sendo construída, a atual ETE recebeu investimentos ao longo de 2021, e hoje trata cerca de 65% do seu esgoto.
 
Ele relatou que a cidade não tratava esgoto há pelo menos 10 anos, mas que é preciso encarar o problema de frente e para o futuro e que órgãos como Ministério Público e Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) têm total conhecimento dos problemas, e tem cobrado de forma veemente.
 
 
Bactérias autóctones
 
Desde o mês de junho o Saema adotou o tratamento com bactérias autóctones, onde as mesmas são retiradas do esgoto e separadas em laboratório. As mais ativas (fortes) são colocadas em processo de proliferação (bioaumentação), retornando para o ambiente de onde veio com uma voracidade enorme, afim de digerir o esgoto.
 
Nesses quase dois meses de tratamento os resultados estão aparecendo, sendo que nos últimos dias a coloração do esgoto que é despejado no Ribeirão Arary vem apresentando uma cor esverdeada, o que significa que à existência de algas nas lagoas, que existe vida.
 
Para conhecer melhor a eficácia do novo tratamento com bactérias autóctones na ETE de Araras o presidente Castagna fez algumas visitas em estações de cidades que já utilizam esse método de tratamento. “Como pra mim também era uma surpresa resolvi conhecer alguns locais que já operam esse tratamento. Fomos no mês de maio a estação de tratamento da cidade de Novo Horizonte, que é operada pela Sabesp, e ficamos surpresos com a eficácia do resultado de apenas 6 meses. E recentemente estivemos em São José do Rio Preto, no curtume Sol Couros, onde o tratamento é feito há 5 anos e o resultado foi assustador de bom. E no curtume tem um agravante, pois o esgoto tratado é composto de produtos químicos e esgoto”, disse.
 
Castagna ainda esteve na cidade de Americana (SP) conhecendo a Estação de Tratamento da Carioba, uma das quatro que operam naquela cidade, e que vinha utilizando o sistema com bactérias autóctones e num período de 10 dias tinham obtido resultado satisfatório na coloração do seu esgoto final.
 
O Saema também aumentou neste ano o volume de esgoto tratado, sendo que em janeiro realizava o tratamento de 110 litros por segundos de esgoto, com eficiência de 60%, mas chegando ao total de 31,42% apenas do esgoto tratado. Passou para 230 litros/segundos, com eficiência de 45%, e chegando a 65,71% do total de esgoto tratado.
 

Cheiro ruim

Quando à estação tratava 110 litros de esgoto por segundos as lagoas permaneciam estáveis, mas com a introdução de mais esgoto por conta da interligação da rede de esgoto da zona leste que encontrava-se rompida e foi consertada houve um aumento significativo no volume e descompensou o sistema biológico existente naquele momento no novo tratamento e provocou o mau cheiro.
 
O Saema ainda pretende o mais breve possível colocar 100% do esgoto da cidade no tratamento, mas para isso carece de tempo, já que o tratamento com bactérias autóctones tem que ser de forma homeopática, com isso a autarquia nunca deixa de se furtar da responsabilidade de que infelizmente ainda despeja esgoto no ribeirão.
 
“Não posso falar que o povo da zona leste está mentindo, sei muito bem o que sofreram e sofrem com tudo isso”, pontuou o presidente Castagna.

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ÁGIL DPVAT