Número de focos de incêndio no mês de agosto em SP é o 2º maior em 23 anos, segundo o INPE

Em agosto deste ano foram 2.277 focos, ficando atrás apenas de agosto de 2010, quando foram notificados 2.444 focos no estado.

O número de focos de incêndios registrado no estado de São Paulo em agosto de 2021 foi o segundo maior desde o início da série histórica do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em 1998. Em agosto deste ano foram 2.277 focos, ficando atrás apenas de agosto de 2010, quando foram registrados 2.444 focos no estado.

“Temos os dados históricos desde 1998 até a última atualização do satélite de referência que foi terça-feira (31). Em agosto de 2021, tivemos 2.277 focos, bem mais do que o dobro registrado no ano passado, número bem acima da média dos históricos. Sendo que o mais crítico foi no mês de agosto de 2010”, afirma Fabiano Morell, chefe da Divisão de Programa Especial – Queimadas do INPE.

Segundo a Secretaria Ambiental do estado, 9 em cada 10 incêndios florestais são provocados por ações humanas, entre elas, a queda de balões. O maior número de focos de incêndio foi registrado na Mata Atlântica: 1.324 focos em agosto. O bioma Cerrado registrou 953 focos.

Em todo o ano de 2020, foram registrados 2.744 focos no estado. Desde janeiro de 2021 até 31 de agosto foram notificados 3.629. “É muito importante que o consciente coletivo e a responsabilidade individual comece a florescer nesse momento, para que cada um pense um pouco mais no ambiente e nas suas atitudes, para que evite que grandes queimadas e incêndios se propaguem na vegetação. Uma rajada mais forte de vento pode transformar uma pequena faísca em um grande incêndio que afeta todos nós”, afirma Morell.

Período de seca

Segundo Fabiano Morell, o mês de agosto é de fato mais complicado para o estado de São Paulo em relação aos focos de incêndio. Isso acontece por conta das condições de seca que se intensificam nesse período. “Essa seca estressa muito a vegetação e qualquer fonte de ignição pode propagar facilmente incêndios.”

“Nesse ano, temos observado várias informações reportando que estamos em um período em que acumula um déficit hídrico muito longo, isso tem impactado diretamente na produção de energia elétrica, no volume de água nos reservatórios e também na vegetação, que fica muito mais suscetível ao fogo”, completa.

Morell explica que, independentemente do período, a maioria dos focos de incêndios, como o que aconteceu no Parque Estadual do Juquery, está diretamente ligada à interferência humana. “Atualmente as condições climáticas estão muito favoráveis ao aumento da seca, as tendências de que a vegetação vai sofrer muito mais. Teremos aumento da temperatura novamente e isso tudo favorece a vegetação a ficar mais propensa ao fogo.”

Em 2010, quando foi registrado o maior número de focos de incêndio da série histórica, com 2.444 pontos no estado, Morell lembra que a propagação do fogo também ocorreu devido à seca.

Incêndio Parque Estadual do Juquery

O incêndio que atingiu o Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, consumiu cerca de 53% da vegetação da unidade de conservação, segundo um levantamento feito pelo Centro de Monitoramento da Fiscalização e Biodiversidade, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente do estado de São Paulo, e divulgada nesta terça-feira (31).

Ao longo dos quatro dias de incêndio, mais de 300 brigadistas trabalharam para conter o fogo. A polícia investiga se ele foi causado pela queda de um balão. Criado em 1993, o parque abriga o último grande remanescente de Cerrado na região metropolitana de São Paulo.

O local foi criado com o objetivo de conservar mata nativa e áreas de mananciais do Sistema Cantareira. Sete baloeiros são investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP) por suspeita de terem causado o incêndio.

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ÁGIL DPVAT