O consumo diário de bebidas alcoólicas pode tirar até cinco anos de vida

372

As doenças associadas são acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, pressão alta e aneurisma aórtico. Foram analisadas cerca de 600 mil pessoas.

Os adeptos ao happy hour ficarão decepcionados: segundo nova pesquisa, consumir bebida alcoólica diariamente pode encurtar a expectativa de vida. O estudo, realizado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, descobriu que beber mais de 100 gramas de álcool por semana – cerca de seis ou sete copos  – aumenta o risco de morte por diversas causas.

Antes que você comece a questionar os resultados, saiba que não foi apenas um estudo, mas cerca de 83 deles, realizados em 19 países.

Beba menos, viva mais!

Os pesquisadores exploraram as ligações entre o consumo de álcool e o risco de diferentes tipos de doenças cardiovasculares. As pessoas que bebiam mais apresentaram maior taxa de risco de sofrer acidente vascular cerebral (14%), insuficiência cardíaca (9%), doença hipertensiva (24%) e aneurisma aórtico – consequência de inchaço em artérias ou veias – (15%). Foram analisados os hábitos de consumo de quase 600 mil pessoas; 50% delas relataram beber mais de 100 gramas de álcool por semana. Para que o resultado fosse o mais preciso possível, também foram avaliados dados sobre idade, sexo, risco de  diabetes, uso de cigarro e outros fatores relacionados a doenças cardiovasculares.

Os cientistas chegaram a conclusão de que beber de 100 a 200 gramas de álcool por semana encurta o tempo de vida de uma pessoa de 40 anos em seis meses. Pessoas da mesma faixa etária que ingerem de 200 a 350 gramas por semana podem perder um ou dois anos de vida, e quem ultrapassa as 350 gramas semanais reduz em quatro ou cinco anos a expectativa de vida.

Apesar da informação alarmante, níveis mais elevados de álcool já foram associados a um menor risco de ataque cardíaco ou infarto do miocárdio. No entanto, esse benefício foi descartado pelo risco maior de outras formas da doença, como explica a líder da pesquisa. “O consumo de álcool está associado a um risco ligeiramente menor de ataques cardíacos não fatais, mas isso deve ser equilibrado com o maior risco associado a outras doenças cardiovasculares graves – e potencialmente fatais”,  disse em comunicado.

Os autores ainda sugerem que o risco variável de diferentes formas de doença cardiovascular pode estar relacionado ao impacto do álcool sobre a pressão sanguínea e outros fatores ligados aos níveis de HDL, mais conhecido como bom colesterol. Para Dan G. Blazer, co-autor do estudo, os resultados mostram que o consumo de álcool em níveis considerados “seguros” estão, na verdade, ligados a menor expectativa de vida e diversos prejuízos à saúde.


Tem uma sugestão de reportagem? Nos envie através do WhatsApp (19) 99861-7717.