Ônibus que caiu em ribanceira fazia transporte clandestino e CNH de motorista estava vencida

Acidente deixou 3 mortos e 34 feridos, do domingo (18), na Rodovia Washington Luís, em Rio Claro (SP). Veículo não poderia ser utilizado para o transporte rodoviário interestadual, diz ANTT.

O ônibus de turismo que capotou e cai em uma ribanceira da Rodovia Washington Luís (SP-310) em Rio Claro (SP), no domingo (18), fazia o transporte clandestino de passageiros, segundo informou a Polícia Civil nesta terça-feira (20).

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o veículo não poderia ser utilizado para o transporte rodoviário interestadual. O acidente no km 184 deixou três mortos e 34 feridos. Segundo a Polícia Rodoviária, a suspeita é que um problema mecânico possa ter causado a capotagem.

O motorista Maurício Leite dos Santos estava com a Carteira Nacional de Habilitação vencida desde 2019. Ele prestou depoimento na manhã desta terça-feira (20) e negou que o veículo e pneus estivessem malconservados, como informou a Polícia Rodoviária. A defesa acredita que o acidente ‘foi uma fatalidade’. (veja abaixo os posicionamentos).

Nossa reportagem apurou que o veículo recebeu 13 multas entre maio e junho deste ano, sendo a maioria delas por transitar acima da velocidade permitida. A soma chega a R$ 1.748,50.

Acidente com ônibus em Rio Claro aconteceu na Rodovia Washington Luís — Foto: Vitor Diagonel/EPTV

Transporte clandestino

O ônibus, que saiu de São Paulo, também pegou passageiros em Jundiaí, Americana e Rio Claro. O destino final era Iguatu (CE). As passagens custavam entre R$ 280 e R$ 500.

Segundo o delegado Paulo Hadich, a certeza de que o transporte era clandestino se confirmou com o depoimento do motorista do ônibus. “No depoimento do motorista, ele nos faz ter algumas certezas: a primeira é que o ônibus fazia um transporte clandestino, o agenciamento era clandestino dessas pessoas. O ônibus apresentou falhas mecânicas pouco antes do acidente e teria derivado à direita no momento do acidente. E também que ele se evadiu do local do acidente”, declarou.

Hadich disse que Santos apresentou uma justificativa para ter se evadido do local do acidente, porém, os argumentos não foram convincentes. Além disso, o delegado revelou que o motorista estava com a habilitação vencida desde 2019. “Ou seja, sob nenhuma hipótese ele poderia estar dirigindo um ônibus”, disse o delegado.

De acordo com o delegado, o próximo passo da investigação é aguardar o resultado da perícia que foi feita e verificar se há necessidade de alguma perícia complementar. “Alguma coisa provocou que esse ônibus derivasse à direita, com certeza não foi intencional ter saído para o barranco, mas precisamos saber exatamente o que provocou essa queda. A suspeita mais forte, até o momento, é de uma falha mecânica. Por ser um ônibus que fazia transporte clandestino, pode ser sim por falta de manutenção adequada”, finalizou.

Depoimento

Acompanhado de um advogado, o motorista que dirigia o veículo compareceu nesta terça à delegacia e prestou depoimento por cerca de 1h30.

Na saída do local, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, ele alegou que o volante do ônibus travou e negou que o veículo e os pneus estivessem em mau estado de conservação, conforme informou o tenente da Polícia Rodoviária, Aaron Emanuel Baronetto Caetano, no domingo (18). “Travou o volante. Eu tentei parar antes, mas não deu. Eu ia devagar, a 70 km/h, só que quando ele travou, já pegou sentido à rampa e quando bateu, já bateu quase parado. Como é muito alto, a roda passou e aí já começou a deitar. Os pneus estavam em bom estado sim, o carro é revisado toda semana”, declarou.

O advogado Renato Balastrero alegou que Santos sofreu uma lesão na coluna durante o acidente e que duas pessoas o socorreram. Além disso, ele argumentou que a carta do homem está vencida por conta da pandemia. “Você sabe que a pandemia deu um atraso na regulamentação de carta, sobre tudo a dele que é de outro estado. E outra, habilitado ele é, ele só estava com a habilitação vencida, com os exames irregulares e ele vai resolver isso aí”, disse.

O advogado também declarou que o motorista não está negando nenhum tipo de acusação. “Ele lamenta muito. É um empresário. Foi uma fatalidade e ele vai fazer de tudo para diminuir a dor que as pessoas estão passando”, finalizou.

Mauricio Leite dos Santos, motorista do ônibus, ao lado do advogado — Foto: Vitor Diagonel/EPTV

Agência Nacional de Transportes Terrestres

Procurada, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o veículo é de propriedade da empresa ‘Agência de Turismo Halley Ltda’, conforme registrou junto às bases do Denatran.

Entretanto, junto à ANTT, ele se encontra cadastrado junto à frota da empresa Transporte Coletivo Brasil Ltda, com o status de inativo. Nossa reportagem não conseguiu contato com as duas empresas.

Diante disso, a agência explicou que o veículo não poderia ser utilizado para o transporte rodoviário interestadual remunerado de passageiros. Questionamos se haverá alguma investigação e qual o procedimento da ANTT diante do caso e aguarda uma resposta.

O acidente

A queda do ônibus de turismo em uma ribanceira de cerca de 10 metros aconteceu por volta de 12h30, no km 184, sentido interior. O ônibus partiu de São Paulo com 37 passageiros e ia para uma cidade no Ceará. Por motivos ainda desconhecidos, o ônibus saiu da rodovia para o canteiro lateral e capotou na ribanceira.

Segundo o tenente da Polícia Rodoviária, Aaron Emanuel Baronetto Caetano, a perícia ainda está sendo feita para determinar as causas do acidente. “Aparentemente pode ter sido um problema mecânico no veículo que, após a curva, não conseguiu desvirar e veio causar o tombamento”, explicou.

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ÁGIL DPVAT